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Saúde

Câncer gástrico é doença silenciosa e aumenta entre idosos; diagnóstico precoce é desafio

Câncer de estômago, que cresce entre a população idosa, apresenta sintomas apenas em estágios avançados, dificultando o diagnóstico precoce.

Por 15/10/2026 às 02h33
1 de 1 O gastroenterologista Luiz Gonzaga Vaz Coelho, professor titular da Faculdade de Medicina Universidade Federal de Minas Gerais e autor dos primeiros estudos sobre a bactéria Helicobacter pylori
1 de 1 O gastroenterologista Luiz Gonzaga Vaz Coelho, professor titular da Faculdade de Medicina Universidade Federal de Minas Gerais e autor dos primeiros estudos sobre a bactéria Helicobacter pylori — Foto: Divulgação

O câncer gástrico, conhecido popularmente como câncer de estômago, é uma doença silenciosa que raramente apresenta sintomas em seus estágios iniciais. Conforme alerta o gastroenterologista Luiz Gonzaga Vaz Coelho, professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais e pioneiro em estudos da bactéria Helicobacter pylori, os sinais clínicos costumam surgir apenas em fases avançadas da doença, o que dificulta o diagnóstico precoce e o tratamento eficaz.

Atualmente, o Brasil registra entre 20 mil e 25 mil casos de câncer gástrico por ano. No entanto, com o envelhecimento da população, a estimativa é que o número de diagnósticos ultrapasse 40 mil por ano até 2050, devido ao aumento dos pacientes idosos, grupo que apresenta maior vulnerabilidade à doença.

Luiz Gonzaga explica que um dos principais fatores por trás do câncer gástrico é a infecção pela bactéria Helicobacter pylori, que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), está classificada como um carcinógeno de Grupo 1, a mesma categoria atribuída ao tabaco e ao amianto. Más condições sanitárias e falta de saneamento básico aumentam o risco de contágio pela bactéria.

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Em países como Japão e Coreia do Sul, que possuem altas taxas de câncer de estômago, políticas públicas incluem o rastreamento da H. pylori para identificar e tratar precocemente a infecção, diminuindo a incidência da doença.

Sobre a endoscopia, exame importante para estadiar e acompanhar a gravidade das lesões gástricas, o especialista ressalta que ela permite a remoção de cânceres iniciais, semelhante à retirada de pólipos durante a colonoscopia. Contudo, alerta para a necessidade de cautela ao realizar procedimentos em pacientes mais velhos, tema que será discutido no 1º Congresso Brasileiro sobre a Saúde Digestiva da Pessoa Idosa (Gastro 70+), marcado para os dias 30 e 31 de outubro em São Paulo.

A prevenção também é reforçada na campanha nacional Setembro Rubi promovida pela Federação Brasileira de Gastroenterologia, que tem como foco principal os familiares de primeiro grau de pacientes com câncer gástrico, grupo de maior risco para desenvolvimento da doença.

Além da bactéria, outros fatores aumentam o risco, como o consumo excessivo de sal e o tabagismo. Embora o sal, isoladamente, cause agressão limitada ao estômago, sua presença potencializa os danos quando associada à H. pylori, aumentando cinco vezes o risco de câncer. Já o tabagismo exige cerca de dez anos de abstinência para que o risco do fumante se iguale ao da população geral.

Os sintomas que podem indicar a doença em estágios avançados incluem emagrecimento, dor persistente no estômago, sangue nas fezes (que ficam escuras, similares a borra de café), vômitos frequentes e má digestão contínua. A ausência de manifestações precoces reforça a importância da atenção médica em grupos de risco e da realização de exames preventivos.

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