FMI alerta EUA sobre necessidade de ajustes fiscais e recomenda China reduzir dependência das exportações
Diretora-geral do FMI destaca imperativo de reformas nos EUA e na China para enfrentar dívidas públicas e desequilíbrios comerciais.
A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, alertou nesta quarta-feira, durante as reuniões anuais do FMI e Banco Mundial em Bangcoc, que os Estados Unidos não poderão conter o crescimento da dívida pública apenas com crescimento econômico, sendo necessário implementar ajustes fiscais, como aumento de impostos ou redução de gastos.
Georgieva ressaltou ainda que a China precisa modificar seu modelo econômico, atualmente baseado nas exportações, para um sistema que priorize o consumo interno, visando um crescimento mais equilibrado e sustentável.
Em seu discurso, a diretora-geral enfatizou a necessidade de mudanças políticas consideráveis para reduzir os desequilíbrios fiscais e comerciais predominantes nas duas maiores economias do mundo. Ela classificou os Estados Unidos e países europeus como os principais responsáveis pelo endividamento excessivo entre as economias avançadas, apontando que os rendimentos elevados dos títulos públicos afetam especialmente os países de baixa renda, que enfrentam dificuldades para gerenciar suas dívidas.
Em entrevista coletiva, Georgieva mencionou que o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, reconhece que os níveis atuais de déficit e dívida americana são insustentáveis e requerem ações efetivas para garantir a sustentabilidade fiscal.
O pedido do FMI por uma política fiscal mais restritiva nos EUA foi reforçado no relatório “Fiscal Monitor” divulgado simultaneamente, que alertou que atrasos na implementação de ajustes durante um período de custos elevados de endividamento tornarão mais desafiadora a tarefa nos anos seguintes.
Rodrigo Valdés, chefe do Departamento de Assuntos Fiscais do FMI, destacou que os aumentos nos rendimentos dos títulos diminuíram a margem de manobra dos governos para a condução da política fiscal, aumentando a urgência das reformas recomendadas.