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Amazonas

Manaus registra 607 atendimentos por problemas respiratórios relacionados à fumaça em 18 dias de outubro

Atendimentos por complicações causadas pela fumaça aumentaram 23 vezes em Manaus, conforme dados da Secretaria de Saúde do Amazonas.

21/10/2026 às 11h59  ·  Atualizado em 21/10/2026 às 12h00

A cidade de Manaus registrou 607 atendimentos ligados a problemas de saúde causados pela fumaça entre os dias 1º e 18 de outubro de 2026, de acordo com informações da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM). Este número é mais de 23 vezes superior ao registrado no mesmo período de setembro, quando foram contabilizadas 26 ocorrências.

Entre os sintomas apresentados pelos pacientes estão tosse, falta de ar, dor de cabeça, febre, dor no peito, coriza, irritação na garganta, cansaço, mal-estar e náusea.

Um dos dias de maior intensidade foi 17 de outubro, em que 92 pessoas buscaram atendimento. Naquela data, a concentração de partículas finas poluentes no ar de Manaus atingiu 59,2 vezes o limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a média anual, segundo a plataforma internacional IQAir.

Leia também: Manaus lidera ranking de cidades com pior qualidade do ar no Brasil devido à fumaça intensa

A SES-AM mantém as unidades de saúde da rede estadual em funcionamento normal e recomenda que a população evite a exposição prolongada à fumaça, diminua atividades físicas ao ar livre em períodos de elevada poluição, mantenha os ambientes fechados e ingira água com frequência. Grupos considerados vulneráveis, como crianças, idosos, gestantes e portadores de doenças respiratórias ou cardiovasculares, devem redobrar os cuidados.

Incêndios florestais impulsionam crise na qualidade do ar

O aumento expressivo nos atendimentos está associado ao agravamento das queimadas no Amazonas, que somaram 1.892 focos de calor entre 1º e 17 de outubro de 2026, quase três vezes mais que no mesmo período do ano anterior.

Grande parte dos incêndios ocorreu em áreas públicas, mas também foram registrados focos em assentamentos federais, unidades de conservação e terras indígenas. A vegetação seca, baixa umidade do ar e altas temperaturas, intensificadas pelo fenômeno climático El Niño e ações humanas, contribuem para a propagação das chamas. A fumaça proveniente desses incêndios tem coberto Manaus há mais de dez dias consecutivos.

Governos reforçam combate às queimadas

Em resposta, o Governo Federal anunciou, em 18 de outubro, um reforço nas operações contra as queimadas no Amazonas. A iniciativa inclui a mobilização de 16 aeronaves, quatro esquadrões de helicópteros e dois navios, além de brigadistas adicionais.

Foi instituído um Estado-Maior Conjunto para coordenar a ação das Forças Armadas e demais órgãos no combate aos incêndios, com o objetivo de agilizar decisões e otimizar o uso de recursos. O anúncio foi realizado em uma coletiva na sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), após reunião entre representantes dos governos federal e estadual.

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