Forças Armadas reforçam combate às queimadas no Amazonas com mais equipamentos e equipe integrada
Governo federal amplia recursos e cria Estado-Maior Conjunto para coordenar ações contra incêndios que afetam Manaus e região.
O governo federal anunciou neste domingo (18) um reforço significativo nas operações para conter as queimadas que avançam no estado do Amazonas. As medidas envolvem a ampliação dos meios aéreos, marítimos e humanos, além da criação de uma nova estrutura de coordenação integrada entre as Forças Armadas e os órgãos ambientais.
O anúncio ocorreu durante coletiva de imprensa na Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), na capital amazonense, após reunião entre representantes do governo federal e estadual. Conforme o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, foi instituído um Estado-Maior Conjunto para coordenar o planejamento e a execução das ações, agilizando a tomada de decisão e a mobilização de recursos.
Equipamentos e pessoal reforçados
A força operacional no combate às queimadas passa a contar com um total de 16 aeronaves, superando o número inicial previsto de seis. O conjunto inclui aeronaves de grande porte, capazes de bombardear áreas afetadas com água, bem como quatro esquadrões de helicópteros que realizarão combate direto aos focos e transporte das equipes em campo. Para o apoio logístico, dois aviões foram deslocados de Anápolis (GO) e São Paulo.
Além disso, dois navios auxiliam no transporte de militares, brigadistas e equipamentos, ampliando o alcance das ações nas regiões mais afetadas. Segundo o almirante Paulo Ferreira, existem cerca de 5 mil militares das Forças Armadas no Amazonas, com contingente e equipamentos específicos sendo dimensionados para a operação.
Trabalho conjunto e ampliação de equipes
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) será reforçado para 450 profissionais atuando em campo, aumentando o efetivo total envolvido nas ações de combate e fiscalização para mais de 600 pessoas, frente a 190 no início das operações em 10 de outubro.
Na esfera da segurança, a Polícia Federal mantém três inquéritos em andamento para apurar os incêndios. O trabalho conjunto com a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) visa analisar possíveis motivações por trás dos incêndios.
Impactos à saúde e medidas de apoio
Em relação à saúde pública, desde 11 de outubro equipes da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) estão atuando no estado em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas para monitorar e atender a população afetada pela fumaça. Até o momento, não houve relatos de pacientes em estado grave.
Está prevista a instalação de uma base descentralizada da Força Nacional do SUS em Manaus na próxima terça-feira (20), com o objetivo de ampliar a capacidade de resposta diante dos efeitos da crise ambiental.
Fumaça em Manaus e ações de conscientização
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, explicou que a fumaça que cobre Manaus é resultado de incêndios em várias regiões, incluindo o sul do Pará. As condições meteorológicas e os ventos carregam as partículas para a capital.
O governador do Amazonas, Roberto Cidade, ressaltou a importância do diálogo entre os governos federal, estadual e municípios para a intensificação das ações, além do apelo à população para denúncias de incêndios criminosos. O governo federal também lançará uma campanha de conscientização para ajudar a prevenir novos focos de queimadas.
As medidas adotadas até o momento são consideradas suficientes pelas autoridades para enfrentar a situação atual, sem necessidade de intervenção federal no estado.