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Saúde

Médicos brasileiros alertam que medo da terapia hormonal na menopausa é maior que risco real

Especialistas destacam que terapia hormonal é eficaz e segura quando indicada corretamente, apesar dos receios relacionados ao câncer.

21/10/2026 às 03h27

A terapia hormonal da menopausa (THM) é considerada por especialistas brasileiros uma opção segura e eficaz para o alívio dos sintomas do climatério, período que compreende a pré e a pós-menopausa. No entanto, o medo associado ao tratamento ainda é maior que os riscos confirmados cientificamente, especialmente no que tange ao câncer de mama.

Esse receio tem origem em um estudo de 2002, o Women’s Health Initiative (WHI), que relacionou a THM a um aumento do risco de câncer de mama e outras condições. Investigação subsequentes, porém, apontaram falhas no estudo e indicaram que, em geral, os riscos do tratamento são inferiores aos seus benefícios, desde que haja indicação médica adequada e acompanhamento.

Atualizações internacionais e contexto brasileiro

Em fevereiro de 2026, a Food and Drug Administration (FDA), órgão regulador dos EUA, retirou o alerta mais severo sobre risco de câncer e doenças cardiovasculares dos rótulos de seis medicamentos usados na THM. Essa decisão foi considerada por especialistas como um passo importante para dissipar o medo da terapia, influenciando positivamente as opiniões médicas e pacientes no Brasil.

Leia também: Especialistas alertam para fatores de risco pouco reconhecidos que agravam o AVC em mulheres

No país, pesquisas indicam que apenas 22% das mulheres com sintomas da menopausa receberam indicação da terapia hormonal, apesar de sua efetividade comprovada. Além disso, a duração do tratamento costuma ser menor do que a recomendada, especialmente entre mulheres das classes sociais mais baixas.

Indicações, benefícios e contraindicações

A THM é indicada para tratar sintomas como ondas de calor intensas, sudorese, ressecamento vaginal, dor durante relação sexual e osteoporose, além de ser recomendada para mulheres que entram na menopausa precocemente, seja por cirurgia ou tratamentos como quimioterapia.

Os riscos realmente associados incluem um aumento muito pequeno no risco de câncer de mama, estimado em um caso a mais para cada mil mulheres usando a terapia por um ano. Porém, essa estimativa depende do tipo e da dose do hormônio utilizado e do tempo de uso.

Contraindicações absolutas incluem mulheres que apresentam câncer de mama ou histórico da doença, doenças cardiovasculares recentes (como infarto ou AVC nos últimos seis meses), trombose, e doenças hepáticas ativas. Cada caso deve ser avaliado individualmente, considerando histórico familiar e outras condições.

Cuidados e acompanhamento

É fundamental o acompanhamento médico regular, com exames anuais, como mamografias e ultrassons, para monitorar eventuais efeitos adversos. O momento ideal para iniciar a terapia deve ser dentro de uma janela de até dez anos após o início da menopausa, embora isso possa variar conforme o quadro clínico de cada mulher.

O término do tratamento deve ser avaliado periodicamente, levando em conta riscos, benefícios e eventuais intercorrências. Não há uma idade fixa para encerrar a terapia, que pode ser mantida enquanto não surgirem complicações.

Uso inadequado e preocupações

O uso indiscriminado da terapia hormonal para fins estéticos, não relacionados ao climatério, preocupa profissionais de saúde, pois pode acarretar complicações sérias como trombose, tumores hepáticos e problemas cardiovasculares.

A indicação da THM para baixa libido também é vista com ressalvas. Especialistas ressaltam que a diminuição do desejo sexual pode ser multifatorial, envolvendo fatores emocionais, relacionais e sociais, e nem sempre é resolvida com reposição hormonal.

Conclusão

Apesar do receio difundido ao longo das últimas décadas, a terapia hormonal da menopausa é um tratamento eficaz e com riscos repertoriados e relativamente baixos, desde que seja prescrita e acompanhada adequadamente. A atualização dos alertas da FDA reforça essa segurança, e a orientação médica individualizada é fundamental para que mulheres recebam os benefícios sem exposição desnecessária a riscos.

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