Especialistas alertam para fatores de risco pouco reconhecidos que agravam o AVC em mulheres
Neurologista destaca que aspectos específicos da vida feminina aumentam a complexidade do acidente vascular cerebral.
Durante o XXXII Congresso Brasileiro de Neurologia, ocorrido em outubro de 2026, a neurologista Letícia Januzi de Almeida Rocha, do Hospital Universitário da Universidade Federal de Alagoas e vice-presidente da Sociedade Brasileira de AVC, apresentou um panorama sobre os impactos do acidente vascular cerebral (AVC) nas mulheres e os fatores de risco que ainda são pouco reconhecidos.
A médica ressaltou que o fenômeno vascular nas mulheres deve ser analisado em cada fase da vida, pois alterações significativas ocorrem desde a jovem adulta até a fase pós-menopausa, tornando o cuidado e a avaliação individualizados essenciais. Destacou que o “fenótipo vascular”, entendimento das características dos vasos sanguíneos a partir de uma combinação genética e ambiental, é fundamental para entender as especificidades do AVC feminino.
Além disso, Letícia Rocha chamou atenção para a importância de analisar todo o histórico clínico da paciente, incluindo condições que não são exclusivamente vasculares, mas que afetam diretamente a saúde cerebral. Um exemplo apresentado foi a gravidez, descrita como um verdadeiro “teste de estresse metabólico” que pode desencadear ou evidenciar fatores que contribuem para o risco do derrame.
Essa abordagem amplia o entendimento dos fatores que agravam o AVC nas mulheres, reforçando a necessidade de maior conscientização, investigação detalhada e acompanhamento médico voltado para as características únicas do sexo feminino em relação à saúde vascular.