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Saúde

Jovem britânica enfrenta sequelas graves após uso prolongado de cetamina desde a adolescência

Megan Harmes, que iniciou o consumo da droga aos 14 anos, desenvolveu danos irreversíveis na bexiga e busca recuperação em programa de reabilitação.

21/10/2026 às 09h53

Megan Harmes, moradora de Flint, no norte do País de Gales, começou a consumir cetamina aos 14 anos. Dez anos depois, ela enfrenta graves consequências do uso prolongado da substância, incluindo danos na bexiga que fazem com que precise usar absorventes para incontinência urinária.

Segundo relatos da jovem, o consumo intensificou-se durante o período de confinamento imposto pela pandemia de Covid-19, quando o preço da cetamina caiu significativamente, tornando-a mais acessível. Na época, Megan já lidava com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e Transtorno de Personalidade Borderline, sintomas que ela sentia serem amenizados pela droga.

A partir de 2024, os serviços de reabilitação no Reino Unido têm registrado aumento expressivo no número de jovens entre 18 e 24 anos buscando tratamento devido à dependência de cetamina. A clínica Birchwood, da organização Kaleidoscope, encontrou uma alta de apenas duas pessoas encaminhadas para desintoxicação em 2021 para 112 neste ano.

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Os especialistas apontam que o uso contínuo e frequente de cetamina provoca danos mais rápidos e severos do que outras drogas, afetando órgãos como a bexiga e causando dores crônicas. Além disso, o consumo está associado a problemas de memória, lesões físicas e insuficiência renal.

O pesquisador Darren Quelch, ligado à Universidade do Sul do País de Gales, destacou que pacientes jovens mostram sintomas complexos que exigem adaptação dos serviços de saúde e tratamentos específicos, ainda em fase de estudo. Ele acrescenta que a reincidência no consumo costuma desencadear problemas de saúde em ritmo acelerado.

Megan relata que, nos últimos dois anos, enfrentou dores intensas que a impediram de ficar em pé com a coluna ereta. “Ter que usar absorventes ou fraldas aos 22 anos acaba com a dignidade de qualquer pessoa”, afirmou. Atualmente, após quatro semanas em um programa de reabilitação, ela relata melhora física, embora ainda não se saiba se os danos são reversíveis.

A pesquisa sobre os efeitos da cetamina no organismo é recente e aponta para um consumo que começou ainda na adolescência em muitos casos, com alguns usuários iniciando o uso aos 13 anos. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) controla o uso da cetamina para fins médicos, sendo proibida a circulação não autorizada da substância.

As dificuldades enfrentadas pelos jovens dependentes incluem ainda o preconceito, problemas psicológicos agravados pelo uso e a falta de preparação dos serviços de saúde, que tradicionalmente atendem adultos mais velhos e não estão adaptados para os desafios médicos e sociais desses pacientes.

O aumento do consumo precoce tem motivado iniciativas de educação preventiva em escolas e universidades no Reino Unido, com uma melhora na procura por atendimento antes do agravamento das condições. No entanto, pacientes que já tinham consumo prolongado ainda representam grande demanda para clínicas como a Birchwood e necessitam de acompanhamento contínuo.

Megan Harmes e outros pacientes relataram que o apoio de pessoas com experiência passada em dependência tem sido fundamental no processo de recuperação, fornecendo acolhimento livre de julgamentos e fortalecimento para o enfrentamento da doença.

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