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Vacina personalizada de mRNA reduz riscos de morte e recidiva do

Estudo fase 3 revela que imunizante da Moderna e MSD, combinado com imunoterapia, reduz também em 38% o risco de metástase no melanoma.

Uma vacina personalizada de mRNA desenvolvida pelas farmacêuticas Moderna e MSD demonstrou reduzir em 42% o risco de morte ou recidiva do melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele. Os dados são provenientes do estudo clínico de fase 3, a etapa final antes do pedido formal de aprovação, divulgado em 22 de outubro de 2026.

Chamado de intismeran autogene, o imunizante é elaborado com base nas mutações genéticas específicas do tumor de cada paciente, diferentemente das vacinas tradicionais contra doenças infecciosas. Isso significa que o tratamento é direcionado para combater um tumor já existente, criando uma resposta imune personalizada contra os alvos mutacionais do câncer.

Resultados do estudo

No estudo, que envolveu mais de 1.100 pacientes, a combinação da vacina com a imunoterapia padrão Keytruda mostrou resultados expressivos:

  • Após dois anos, 82,2% dos pacientes tratados com a vacina e Keytruda estavam livres de sinais da doença, contra 70% dos que receberam apenas o Keytruda.
  • A associação também diminuiu em 38% o risco de metástase, ou seja, o espalhamento do câncer para outras partes do corpo.

O medicamento Keytruda atua bloqueando a proteína PD-1, que funciona como um freio para o sistema imune, permitindo que as células de defesa ataquem as células tumorais. A vacina, por sua vez, ensina o sistema imunológico a reconhecer as mutações específicas do tumor, tornando a combinação complementar e eficaz.

Segundo o oncologista Hussein Tawbi, especialista em melanoma e pesquisador do estudo no MD Anderson Cancer Center, Universidade do Texas, "os resultados são altamente significativos do ponto de vista estatístico" e indicam um avanço relevante no tratamento dessa doença.

Funcionamento da vacina

O processo começa com a retirada de uma amostra do tumor durante cirurgia para sequenciamento genético, identificando as mutações exclusivas daquele câncer. A partir dessas informações, é produzida uma molécula de mRNA com instruções para até 34 desses alvos mutacionais. Injetado no paciente, o imunizante faz com que as células do próprio corpo produzam essas mutações, estimulando o sistema imune a reconhecê-las e destruí-las.

Perspectivas para o mercado e aprovação

Com os resultados positivos, Moderna e MSD planejam solicitar a aprovação da vacina nos Estados Unidos, com expectativa de lançamento para 2027. A empresa ainda não confirmou previsão para submissão à Anvisa, órgão regulador brasileiro. Os dados completos serão apresentados no congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO), em Madri, a partir de 24 de outubro de 2026.

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