Usuários de Ozempic recorrem a suplementos para aliviar efeitos
Quase metade dos usuários de medicamentos GLP-1 recorre a suplementos sem aprovação regulatória para minimizar desconfortos.
Medicamentos à base de GLP-1, como Ozempic e Wegovy, foram apontados como importantes avanços para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, beneficiando cerca de 10 milhões de pessoas nos Estados Unidos no ano passado, número que pode crescer para 25 milhões até 2030. No entanto, os efeitos colaterais desses remédios, que incluem desconforto gastrointestinal, fadiga e unhas quebradiças, têm levado muitos usuários a buscar suplementos alimentares na tentativa de alívio.
Segundo pesquisa do Nutrition Business Journal, quase metade dos pacientes que iniciaram o tratamento com GLP-1 passaram a consumir vitaminas e outros suplementos, como fibras, colágeno, eletrólitos, magnésio, vitamina B12 e probióticos. Essa tendência acompanha o crescimento do mercado de suplementos nos EUA, que ultrapassou US$74 bilhões em 2025.
Médicos alertam, contudo, que a maioria desses suplementos não possui aprovação prévia da Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA). Isso dificulta avaliar sua eficácia e segurança, deixando os consumidores expostos a riscos desconhecidos. Jonathan Bonnet, professor clínico associado em Stanford, ressalta que a falta de transparência sobre a composição dos suplementos pode resultar em consequências negativas para a saúde.
A popularização desses produtos também é impulsionada pelas redes sociais: influenciadores com milhares de seguidores promovem suplementos, muitas vezes sem sólida base científica. Allison Vecchio, enfermeira da Flórida com 25 mil seguidores no TikTok, e Terri Hart, moradora do Kansas com mais de 12 mil seguidores, são exemplos de usuários que compartilham suas experiências com suplementos para enfrentar os efeitos dos GLP-1. Elas ganham comissões promovendo alguns produtos, sempre enfatizando a importância da consulta médica.
Os custos mensais desses suplementos variam entre US$110 e US$300, despesas geralmente não cobertas pelos planos de saúde. Além do impacto financeiro, especialistas recomendam cautela e acompanhamento médico para quem utiliza suplementos como complemento aos tratamentos com Ozempic e Wegovy.
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