Selena Gomez relata vício em vape e alerta para riscos da nicotina na voz
Cantora revelou dependência de cigarro eletrônico e mudanças na voz causadas pelo uso do vape.
A cantora Selena Gomez compartilhou recentemente, em vídeo publicado nas redes sociais, sua experiência com o vício em cigarro eletrônico, conhecido como vape. Ela revelou que esteve dependente da nicotina por muito tempo e que o uso do dispositivo provocou alterações em sua voz.
No relato, Selena afirmou que deixou de usar o vape há pouco tempo, mas que abandonar o consumo de nicotina foi um processo difícil. Ela também disse a seus fãs que, se não gostarem de ouvir sua voz atual, isso é compreensível devido às mudanças causadas pelo uso do dispositivo.
Como o vape interfere nas cordas vocais
As cordas vocais, localizadas na laringe, são responsáveis pela produção do som da fala e do canto, vibrando com a passagem do ar. A exposição frequente ao aerossol do vape, que contém nicotina, aromatizantes, propilenoglicol e outras substâncias aquecidas até cerca de 250 °C, pode causar inflamação nas cordas vocais e nas vias respiratórias.
Usuários de cigarro eletrônico podem dar entre mil e três mil tragadas por dia, número superior às aproximadamente 200 tragadas por maço em fumantes de cigarro comum. Essa exposição maior contribui para agravamento de processos inflamatórios e pode levar à perda temporária da voz.
Médicos já observaram um aumento nos casos de inflamação na laringe entre usuários frequentes do vape. No Brasil, artistas como Solange Almeida, ex-Aviões do Forró, e a influenciadora Vanessa Lopes também relataram problemas graves nas cordas vocais associados ao uso do cigarro eletrônico.
Dependência e comparação com o cigarro comum
Embora os cigarros eletrônicos tenham sido lançados em 2005 com a promessa de serem menos agressivos que o cigarro comum – já que vaporizam a nicotina sem combustão do tabaco e sem liberar monóxido de carbono – especialistas frisam que esses dispositivos contêm mais de 2 mil substâncias, várias delas tóxicas e cancerígenas.
A maioria dos vapes possui concentração de nicotina até 20 vezes maior do que a do cigarro tradicional, aumentando o potencial de dependência. Um estudo do Instituto do Coração (Incor), em parceria com a Vigilância Sanitária e a Faculdade de Medicina da USP, constatou que usuários de cigarro eletrônico têm níveis de nicotina no organismo até seis vezes maiores que fumantes de cigarro comum.
Enquanto a dependência da nicotina pelo cigarro tradicional costuma se desenvolver ao longo de anos, o vício induzido pelo cigarros eletrônicos pode se manifestar intensamente entre três a seis meses de uso. O estudo apontou que cerca de 70% dos participantes, com idades entre 18 e 25 anos, nunca tinham fumado antes de começarem a usar o vape.
Regulamentação e alerta da Anvisa
Nos Estados Unidos, onde Selena Gomez mora, os cigarros eletrônicos são permitidos e regulados pela FDA, que atualmente inclui a autorização para vapes com sabores. No Brasil, entretanto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe desde 2009 a venda desses dispositivos. Apesar disso, eles ainda circulam no mercado brasileiro de forma irregular.
A Anvisa reforça que o uso desses dispositivos representa riscos, pois não é possível garantir sua composição ou a quantidade das substâncias presentes, tornando incerto os efeitos para a saúde dos usuários.
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