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Mulher britânica necessita de transplante de fígado após uso prolongado de ashwagandha; Anvisa reforça proibição no Brasil

Caso de mulher que precisou transplante destaca risco do uso da erva ashwagandha, proibida pela Anvisa, mas ainda disponível no país.

 ·  Atualizado em 21/10/2026 às 16h59
1 de 3 Mulher de 44 anos tomou gomas da erva por cerca de um ano
1 de 3 Mulher de 44 anos tomou gomas da erva por cerca de um ano — Foto: Arquivo Pessoal

A britânica Lois Kinder, de 44 anos, precisou passar por um transplante de fígado após consumir gomas que continham a erva ashwagandha durante aproximadamente um ano. A informação foi divulgada pela imprensa do Reino Unido, que aponta suspeita médica de que o suplemento contribuiu para a falência hepática da paciente.

A ashwagandha, planta originária da Índia, é frequentemente comercializada em cápsulas e gomas como um calmante natural, com indicações para aliviar estresse, melhorar o sono e equilibrar hormônios. Contudo, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), não há comprovação científica sobre a segurança e a eficácia do produto.

Lois, residente em Lymm, no condado de Cheshire, no noroeste da Inglaterra, não apenas utilizava as gomas, como também as divulgava em sua conta no TikTok, recebendo produtos de empresas do Reino Unido, Estados Unidos e Índia para revender a seus seguidores.

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O início dos problemas foi sinalizado por icterícia — a coloração amarelada da pele e dos olhos — indicativo de que o fígado estava comprometido, visto que não conseguia eliminar a bilirrubina adequadamente. Durante o transplante de fígado, a paciente sofreu três paradas cardíacas devido a um coágulo que bloqueou a artéria pulmonar principal, deixando sequelas cerebrais graves.

Casos médicos que associam o uso de ashwagandha a lesões hepáticas já foram registrados anteriormente. Em 2020, estudos da Islândia e dos Estados Unidos descreveram pacientes com icterícia intensa e coceira após consumir suplementos contendo a erva. Alguns pacientes tiveram recuperação dos exames em até cinco meses após a suspensão do produto, mas outros casos resultaram em falência hepática aguda, com necessidade de transplante ou óbito.

No Brasil, a Anvisa proibiu a comercialização da ashwagandha desde novembro de 2022, pela ausência de comprovação de qualidade, segurança e eficácia. Apesar da proibição, produtos contendo a erva ainda podem ser encontrados à venda no país.

A agência reguladora reafirma que suplementos alimentares no Brasil devem conter apenas ingredientes autorizados e que a venda ou publicidade com promessa de cura, tratamento ou prevenção de doenças é proibida. Além disso, a Anvisa informa que a população pode denunciar a comercialização ilegal à própria agência ou à vigilância sanitária municipal.

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