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Insônia crônica eleva riscos de demência, AVC e doenças cardíacas, alertam especialistas

Especialistas ressaltam que a insônia deve ser tratada como doença devido ao impacto no cérebro e no coração.

Estudos indicam que a insônia crônica está associada a um maior risco de desenvolver demência, acidente vascular cerebral (AVC) e doenças cardíacas. Segundo especialistas, problemas frequentes para dormir comprometem a saúde do cérebro e do coração, configurando a insônia como uma condição que exige atenção médica, não apenas um incômodo passageiro.

Dados apontam que quase um terço dos adultos residentes nas capitais brasileiras apresenta sintomas de insônia, os quais incluem dificuldade para iniciar o sono, despertar várias vezes durante a noite ou acordar prematuramente sem conseguir voltar a dormir.

Impactos no cérebro

Durante o sono profundo, ocorre um mecanismo fisiológico fundamental para a manutenção cerebral: a circulação do líquor promove uma espécie de 'faxina', eliminando resíduos acumulados ao longo do dia. Essa limpeza acontece porque os espaços entre as células do cérebro aumentam temporariamente, facilitando a remoção de substâncias como proteínas beta-amiloide e tau, associadas a doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.

Leia também: Especialistas alertam para insônia frequente e seus riscos à saúde

Quando o sono é comprometido de forma prolongada, essa limpeza natural do cérebro fica prejudicada, elevando o risco de acúmulo dessas proteínas. O neurologista Diego Carvalho destaca que o impacto da insônia no declínio cognitivo é resultado de um processo contínuo, e não de episódios isolados. Ele cita estudo da Clínica Mayo, nos EUA, que aponta um aumento de cerca de 40% no risco de demência em pessoas acima de 60 anos com insônia crônica ao longo de cinco anos.

Consequências para o sistema cardiovascular e qualidade de vida

Além das implicações neurológicas, a insônia pode agravar condições cardiovasculares. A renovada fadiga, sonolência e baixa concentração afetam diretamente a rotina profissional e pessoal dos indivíduos. Relatos de pacientes, como o de Patrick, de 35 anos, que atua em reabilitação física, evidenciam o impacto do cansaço sobre a atenção durante o trabalho. A artista plástica e designer Vitória, 30 anos, também relata o desgaste causado pela privação constante de sono.

Diagnóstico e tratamento

O psiquiatra Alexandre Azevedo, do laboratório do sono da USP, recomenda investigação médica quando a dificuldade para dormir ocorre pelo menos três vezes por semana por um período mínimo de três meses, acompanhada de sintomas como fadiga, cansaço e comprometimento das atividades diárias.

O tratamento da insônia nem sempre exige medicação; mudanças no estilo de vida são fundamentais para a recuperação da qualidade do sono. Entre as medidas indicadas estão a redução do uso de telas antes de dormir, evitar a ingestão de cafeína à noite, manter horários regulares para despertar e aumentar a exposição à luz natural durante o dia.

Especialistas reforçam que a insônia não deve ser subestimada, pois afeta o funcionamento cerebral, cardiovascular e a qualidade de vida. O reconhecimento da doença e seu manejo adequado são essenciais para prevenir complicações graves a longo prazo.

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