Estudo internacional com participação brasileira amplia esperança para pacientes com doenças graves no fígado
Pesquisa envolvendo centros no Brasil demonstra aumento da sobrevida após transplante de fígado em pacientes com múltiplos órgãos comprometidos.
Pesquisadores do Brasil participaram de um estudo global que traz uma nova perspectiva de esperança para pacientes com problemas graves no fígado, especialmente aqueles com falhas em múltiplos órgãos, como rins e sistema nervoso central. O estudo, que envolveu 63 centros especializados em quatro continentes, incluindo três no Brasil, analisou 612 transplantes, dos quais 99 foram realizados pelo Hospital das Clínicas de São Paulo.
Tradicionalmente, pacientes com deterioração rápida da função hepática e comprometimento simultâneo de outros órgãos tinham poucas chances de passar por transplante. No entanto, o trabalho — denominado Chance — publicado em revistas médicas da área, mostrou que o transplante pode resultar em taxas de sobrevida superiores a 80% mesmo nesses casos graves, promovendo a recuperação não só do fígado, mas também dos órgãos afetados.
Experiências dos pacientes e importância da doação
Maria do Carmo Pereira da Silva, uma das pacientes brasileiras que participou do estudo, relata o quadro grave causado por cirrose originada de gordura no fígado que evoluiu para insuficiência renal. Depois do transplante realizado há quatro anos, ela retomou atividades simples e prazeres cotidianos, como cuidar do seu gato.
Outro paciente, Moisés de Sousa Carrilho, teve seu fígado destruído pela hepatite C, além de danos renais e ao sistema nervoso central. Após o transplante em outubro, recebeu alta em nove dias e agora vislumbra a possibilidade de vencer a hepatite. Ele expressa profunda gratidão ao doador por esta segunda chance.
Segundo os médicos que participaram do estudo, a grande batalha atual é aumentar o número de doadores, já que quase 50 mil pessoas aguardam na fila de transplantes no Brasil, com mais de 2,3 mil precisando especificamente do fígado. Além disso, a divulgação de protocolos de cuidados em unidades de terapia intensiva é fundamental para estabilizar rapidamente pacientes graves e potencializar as chances de sucesso dos transplantes.
Perspectivas para o futuro
Além dos transplantes clássicos, o estudo também avaliou procedimentos realizados na Ásia que utilizam pedaços de fígado de doadores vivos, aproveitando a capacidade do órgão de regeneração e crescimento. Esta abordagem amplia as possibilidades para pacientes em estado crítico.
Os avanços demonstrados pelo estudo Chance indicam um progresso significativo na área de transplantes hepáticos, com impacto direto no aumento da sobrevida e recuperação de pacientes que antes eram considerados sem possibilidades de tratamento.