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Saúde

Aumento dos diagnósticos de TDAH e autismo reflete mudanças na identificação, alertam especialistas

Estudo britânico revela crescimento dos transtornos mentais entre jovens e discute desafios nos critérios diagnósticos e no acesso aos tratamentos.

17/10/2026 às 05h19

Uma revisão independente publicada em outubro de 2026 apontou que a proporção de jovens de 16 a 24 anos com transtornos mentais comuns no Reino Unido aumentou nos últimos 30 anos, passando de cerca de um em cada seis jovens em 1993 para um em cada quatro em 2024. Paralelamente, os registros de diagnósticos de autismo e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) cresceram expressivamente, mais de 20 e seis vezes em determinadas faixas etárias, respectivamente.

O relatório, liderado pelo professor Peter Fonagy, enfatiza que esse crescimento dos diagnósticos não implica necessariamente um aumento correspondente no número real de pessoas afetadas, mas reflete mudanças nos critérios diagnósticos, maior conscientização e melhorias na identificação de casos que antes passavam despercebidos.

Alterações nos critérios e conscientização

A partir de 2013, com a atualização do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), houve uma ampliação da definição do transtorno do espectro autista (TEA), passando a incluir manifestações mais leves. Segundo o psiquiatra Guilherme Polanczyk, professor da USP, isso contribuiu para o aumento dos diagnósticos ao incluir pessoas anteriormente não enquadradas.

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Além disso, segundo neurologista Felipe Kalil, da PUC-RS, o avanço nas estratégias de triagem e a maior divulgação sobre TDAH e autismo possibilitaram que mais crianças e adolescentes fossem detectados precocemente, ampliando o registro desses transtornos.

Desafios no acesso e riscos do diagnóstico inadequado

Apesar do crescimento nos registros, muitos jovens permanecem sem diagnóstico ou sem acesso a tratamento adequado. Estimativas brasileiras indicam que cerca de 80% dos adolescentes com transtornos mentais não recebem acompanhamento especializado.

Os especialistas alertam que o diagnóstico incorreto pode causar rotulação desnecessária, ansiedade e tratamentos inadequados, como o uso indevido de medicação para TDAH. Também ressaltam que o diagnóstico tardio pode prejudicar o desenvolvimento e aumentar o sofrimento, reforçando a necessidade de identificação precoce e intervenções individuais e baseadas em evidências.

Recomendação para reformulação dos serviços

A revisão sugere que os sistemas de saúde, educação e assistência social adotem uma abordagem focada nas necessidades individuais das pessoas, em vez de depender estritamente do diagnóstico formal para oferecer suporte. Essa mudança visa agilizar o acesso ao atendimento e reduzir o impacto dos transtornos na educação, trabalho e saúde.

Especialistas destacam, porém, que esse modelo só será viável com a ampliação dos recursos e da disponibilidade de profissionais qualificados para atender a demanda crescente.

Situação no Brasil e perspectivas

No Brasil, dados oficiais indicam que cerca de 1,2% da população tem diagnóstico formal de autismo, mas especialistas consideram que esse número pode estar subestimado. Problemas no acesso aos serviços e desigualdades regionais são obstáculos significativos para identificação e tratamento adequados.

A discussão sobre o equilíbrio entre evitar diagnósticos excessivos e garantir o suporte necessário reflete um desafio global nos campos da saúde mental e do desenvolvimento neuropsiquiátrico.

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