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Dispositivo eletrônico experimental controla açúcar no sangue e

Implante chamado ECHO utiliza eletricidade para converter glicose em substância eliminada pelos rins e estimula uso de gordura corporal, demonstrando eficácia em testes com animais.

Um dispositivo eletrônico experimental, chamado ECHO, implantado sob a pele de camundongos com diabetes tipo 2 e obesidade, normalizou os níveis de açúcar no sangue e reduziu o peso corporal dos animais em até 10% durante seis semanas, conforme estudo publicado na revista científica Science.

Ao contrário dos tratamentos convencionais que dependem de medicamentos ou hormônios, o equipamento atua por meio de um processo eletroquímico denominado eletrocatálise. Ele utiliza um impulso elétrico para transformar parte da glicose presente na circulação sanguínea em gluconato, uma substância que é majoritariamente eliminada pelos rins.

O dispositivo, sem fios, conta com pequenas estruturas de ouro revestidas por platina inseridas em grafite poroso. A energia elétrica, fornecida externamente, promove a reação química responsável pela conversão da glicose. Esse sistema permite o controle da intensidade e da duração da reação, podendo ser ativado apenas quando necessário.

Além de promover o controle glicêmico, o ECHO também estimulou mudanças metabólicas que levaram os animais a utilizar a gordura armazenada como fonte de energia, explicando a perda de peso observada. Durante o tratamento, houve redução dos níveis de triglicerídeos, aumento dos ácidos graxos livres e elevação dos corpos cetônicos nos camundongos, indicadores de maior uso da gordura corporal.

O implante é integrado a um monitor contínuo de glicose, que registra os níveis de açúcar no sangue em tempo real. Quando a glicose ultrapassa um limite estabelecido, o sistema ativa automaticamente o dispositivo para iniciar a conversão da glicose. A estimulação é interrompida assim que os níveis retornam à faixa desejada, evitando episódios de hipoglicemia durante o período de estudo.

Perspectivas e precauções para uso humano

Embora os resultados sejam promissores, a tecnologia ainda está em fase experimental e não foi testada em humanos. Especialistas alertam para a necessidade de investigar os efeitos a longo prazo da remoção contínua de glicose, especialmente sobre a função renal e o metabolismo. Ainda é necessário entender se a perda de peso observada se mantém e se ocorre sem prejuízo da massa muscular.

O endocrinologista Renato Reis, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), destaca que o método não depende da regulação hormonal típica dos tratamentos atuais, o que representa uma nova abordagem, porém ainda não pode ser considerado substituto de terapias consolidadas como a insulina ou medicamentos moduladores do apetite e glicemia.

Outros desafios incluem assegurar a estabilidade do implante por períodos prolongados, evitar efeitos adversos metabólicos e determinar se o organismo desenvolverá compensações, como aumento do apetite.

O estudo evidencia a prova de conceito de que a remoção controlada de glicose por eletricidade pode influenciar simultaneamente o controle glicêmico e a utilização da gordura corporal, abrindo possibilidades para futuros tratamentos individualizados de doenças metabólicas complexas, como a diabesidade.

Por enquanto, os pacientes devem continuar aderindo aos tratamentos convencionais comprovados enquanto novas pesquisas são feitas para avaliar a segurança e eficácia do ECHO para uso clínico em humanos.

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