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Câncer de mama aos 32 anos levou Patrícia Biscaro a descobrir doença cardíaca rara e hipótese para morte súbita da mãe

Após tratar câncer de mama, Patrícia Biscaro identificou malformação congênita no coração e síndrome genética associada a mortes súbitas na família.

1 de 5 A empresária Patrícia Biscaro
1 de 5 A empresária Patrícia Biscaro — Foto: Arquivo Pessoal

Patrícia Biscaro, empresária que enfrentou um câncer de mama agressivo aos 32 anos, descobriu após o tratamento uma condição cardíaca congênita rara, além de uma síndrome genética que pode explicar a morte súbita da mãe e de duas tias ainda jovens. O caso foi detalhado em reportagem publicada pelo G1.

Em 2018, menos de um ano após um ultrassom mamário sem alterações, Patrícia sentiu um nódulo no seio que, após biópsia, foi diagnosticado como câncer de mama triplo negativo, um subtipo agressivo sem receptores para tratamentos-alvo. Ela começou quimioterapia imediatamente, passou por cirurgia conservadora e radioterapia, completando o tratamento com medicamentos orais.

Aos 40 anos, sem recidiva do câncer, Patrícia mantém acompanhamento regular. Durante a avaliação cardiológica pós-quimioterapia, uma ressonância magnética revelou uma má-formação congênita no ventrículo esquerdo chamada miocárdio não compactado. Esta doença caracteriza-se pela formação incompleta do músculo cardíaco, que assume aspecto semelhante a uma esponja, causando risco para insuficiência cardíaca, arritmias graves e trombose.

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Curiosamente, a descoberta levou Patrícia a relembrar a morte súbita da mãe aos 42 anos, quando ela tinha 18, além do falecimento precoce de duas tias, cuja causa nunca foi esclarecida. Embora não seja possível confirmar retrospectivamente, especialistas consideram que arritmias associadas ao mesmo problema cardíaco poderiam ter sido responsáveis.

Além da condição cardíaca, Patrícia recebeu diagnóstico da síndrome de Ehlers-Danlos, uma doença genética rara que afeta o tecido conjuntivo do corpo, explicando sintomas como dores articulares, flexibilidade excessiva e outras manifestações diversas que ela vinha apresentando. Essa síndrome foi identificada após investigação criteriosa, incluindo exame genético que descartou sua forma mais grave, a vascular.

Devido aos riscos, Patrícia implantou um desfibrilador cardíaco, aparelho que monitora o ritmo e aplica choque para interromper arritmias ventriculares fatais. Essa medida visa prevenir morte súbita e foi indicada pela presença da má-formação cardíaca, da síndrome e histórico familiar de mortes súbitas.

Patrícia também enfrentou um segundo câncer, desta vez na tireoide, diagnosticado em 2019 e tratado com cirurgia para remoção da glândula. Até o momento, não há evidências científicas que relacionem a síndrome de Ehlers-Danlos aos tumores que ela desenvolveu.

Além do cuidado com a saúde, Patrícia desenvolveu o Oncoplanner, uma agenda personalizada para pacientes em tratamento oncológico, que atende a lacunas que ela percebeu na organização da rotina médica e pessoal durante seu próprio tratamento. Hoje, o produto é utilizado por profissionais e clínicas especializadas.

A rotina de Patrícia é atualmente impactada pela disautonomia, caracterizada por alterações significativas de pressão arterial e frequência cardíaca, que a obrigam a planejar todas as atividades com cautela. Ela utiliza recursos para facilitar a mobilidade e evitar situações que agravem os sintomas.

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