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Família vive medo após réu de feminicídio ser solto no RS

Parentes da vítima relatam apreensão com liberdade de réu que matou ex-mulher em Bento Gonçalves.

1 de 1 Jane Cristina Montiel Gobatto e Milton Gobatto
1 de 1 Jane Cristina Montiel Gobatto e Milton Gobatto — Foto: Arquivo pessoal

Família da vítima do feminicídio ocorrido em abril de 2025 em Bento Gonçalves manifesta medo constante após a soltura de Milton Gobatto, réu pelo assassinato de sua ex-mulher Jane Cristina Montiel Gobatto, de 54 anos.

Ela foi morta na residência do ex-companheiro, onde havia ido preparar o almoço para o filho do casal. Embora separados, Jane frequentava a casa do ex-marido para estar próxima do filho, que permaneceu morando com ele após a separação.

Em junho de 2025, por decisão judicial, a prisão preventiva de Milton foi substituída por medidas cautelares, em razão, entre outros fatores, da superlotação carcerária e do tratamento psiquiátrico a que o réu está submetido. Desde então, ele permanece em liberdade, porém, obrigado a cumprir restrições como manter endereço fixo no município e comparecer regularmente ao tratamento de saúde mental indicado.

O réu não utiliza tornozeleira eletrônica, mas está sujeito a essas condições impostas pela Justiça. Em setembro de 2026, foi decretada sua pronúncia para julgamento pelo Tribunal do Júri pelo crime de feminicídio, decisão que aguarda recurso da Defensoria Pública, responsável pela defesa de Milton Gobatto.

Contexto e reações familiares

Segundo a advogada da família da vítima, Vanessa Dal Ponte, a motivação do crime estaria relacionada a uma disputa patrimonial que perturbava o réu. Os familiares afirmam sentir-se injustiçados e ameaçados pela atual situação processual, destacando o medo e a insegurança desde a liberdade do acusado.

A irmã da vítima, Vera Montiel, destacou a dor da família diante do ocorrido. A Defensoria Pública afirmou que, apesar da gravidade do caso, atua garantindo o devido processo legal e ressaltou o cumprimento das medidas de saúde determinadas para o réu.

Aspectos jurídicos

Um laudo de sanidade mental concluiu pela imputabilidade do acusado, indicando que ele tinha capacidade de entender a criminalidade do ato cometido. A sentença de pronúncia consiste na decisão que leva o caso para julgamento popular, sem definir culpabilidade, apenas verificando indícios.

Em nota, o Tribunal de Justiça esclareceu que a soltura considerou entendimento dos tribunais superiores de que a gravidade do crime isoladamente não sustenta prisão preventiva, além das condições do sistema prisional local.

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