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Willer Tomaz pede dobrar construção em ilha de Richarlison

Pedidos de Willer Tomaz para ampliar construções ocorreram no mesmo dia da revogação de planos de manejo na APA de Tamoios, em Angra dos Reis.

Em 20 de março, o advogado e empresário Willer Tomaz protocolou dois pedidos para ampliar a ocupação em ilhas de Angra dos Reis, coincidindo com a data da publicação pelo então governador Cláudio Castro de um decreto que revogou planos de manejo de áreas protegidas, entre elas a Área de Proteção Ambiental (APA) de Tamoios, importante para a preservação ambiental da região.

Um dos pedidos de Tomaz buscava dobrar a taxa de ocupação da Ilha Comprida, onde está localizada uma mansão cujo direito de posse é alvo de disputa com o jogador de futebol Richarlison, que afirma ter comprado o imóvel em 2020 por cerca de R$ 10 milhões. O pedido previa a construção de uma residência com mais de 700 metros quadrados, além de um cais e uma academia, em um terreno de 43 mil metros quadrados.

Na ocasião, o então presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Renato Bussiere, deu andamento ao processo após a meia-noite, embora o despacho não implicasse de imediato em autorização para a ampliação.

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Richarlison denunciou publicamente que, após adquirir e reformar o imóvel, seus direitos estariam sendo contestados por meio de manobras jurídicas conduzidas por Willer Tomaz e pelo senador Flávio Bolsonaro, acusando-os de tentativas de retirar a posse da propriedade. Willer Tomaz negou irregularidades e afirma possuir os documentos formais que comprovam sua propriedade, inclusive registro na Secretaria do Patrimônio da União (SPU).

Além do pedido na Ilha Comprida, Tomaz solicitou ampliação para construir um resort na Ilha José André, também em Angra dos Reis, área protegida pela APA de Tamoios. O projeto incluía quartos, piscinas, beach club, spa, restaurante, hangar e heliponto.

Ambos os pedidos de ampliação foram feitos imediatamente após o decreto estadual que suspendeu temporariamente os planos de manejo ambiental na região, medida que gerou protestos de ambientalistas e acabou sendo revogada cerca de 20 dias depois, na gestão seguinte ao ex-governador Castro.

Até o momento, os pedidos de Willer Tomaz no Inea não foram aprovados. O decreto do ex-governador Castro é investigado pela Polícia Federal junto com o presidente do Inea, suspeitos de favorecer interesses privados por meio de alterações em órgãos públicos, embora a investigação não implique culpabilidade automaticamente.

Em nota, Cláudio Castro afirmou que o decreto teve caráter geral e técnico, sem influência de interesses externos e negou qualquer contato prévio com Willer Tomaz ou seus representantes relativos à medida. Renato Bussiere ratificou que o prosseguimento dos processos é rotina administrativa e que não houve autorização para mudanças nas áreas mencionadas.

O caso envolve ainda a discussão sobre a proposta da PEC das Praias, de autoria do senador Flávio Bolsonaro, que prevê mudanças na transferência de terrenos federais, o que poderia influenciar a posse de áreas protegidas como as ilhas de Angra dos Reis.

Tags: APA de TamoiosAngra dos ReisCláudio CastroIneaRicharlisonWiller Tomazmeio ambiente

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