MPRJ pede condenação de 15 e absolve cadeirante na megaoperação
Ministério Público pede condenação por associação ao tráfico e absolvição de réu paraplégico denunciado como soldado armado.
Atualização (31/10/2026 às 07h02): Traficante preso na Penha responde por tortura em vídeo
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) solicitou a condenação de 15 pessoas acusadas de envolvimento com o Comando Vermelho nos Complexos da Penha e do Alemão, em um dos processos decorrentes da Megaoperação Contenção, realizada em 28 de outubro de 2025. A promotora Juliana Pompeu fez o pedido nas alegações finais em 5 de outubro de 2026.
As acusações incluem associação ao tráfico majorada, crimes próximos a escolas com uso de arma de fogo e direcionados a crianças e adolescentes, além de tortura em um caso.
O processo envolve 51 réus, divididos em três ações na Justiça. Um desses processos possui 16 acusados, incluindo Herbert da Silva de Souza, conhecido como "Negão", um homem de 31 anos que é paraplégico e cadeirante desde 2012 após ter sido baleado nas costas durante uma tentativa de assalto na Vila da Penha.
Herbert foi denunciado originalmente como soldado armado do tráfico, porém, documentos apresentados pelo advogado Michel Brito confirmam sua condição de cadeirante há 14 anos. Durante audiências, policiais envolvidos nas investigações afirmaram não lembrar especificamente do réu ou questionaram a lógica de sua atuação como soldado armado, considerando sua limitação física.
Com base na dúvida fundada sobre sua capacidade de atuação, a promotora pediu a absolvição de Herbert, entendendo que não há provas suficientes para condená-lo.
Já entre os réus com pedido de condenação está Pedro Paulo Guedes, o Pedro Bala, apontado como um dos principais líderes do Comando Vermelho na Penha. Ele responde por gestão das bocas de fumo, administração financeira da organização, divisão de tarefas e distribuição de armas, e possui nove mandados de prisão emitidos pela Justiça.
A Megaoperação Contenção completou um ano em outubro e foi marcada pela morte de 122 pessoas durante ações policiais nos Complexos da Penha e do Alemão. Os desdobramentos ainda seguem na Justiça, com processos contra integrantes da facção e esforços para capturar foragidos.
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