Grupo ligado a Márcio Poncio deve R$ 2,9 bi à União, diz Fórum
Relatório liga grupo de Márcio Poncio a dívida bilionária e investigações da Polícia Federal por lavagem de dinheiro.
Um relatório do Fórum Nacional Contra a Pirataria e Ilegalidade (FNCP) revela que o grupo empresarial ligado à família do pastor Márcio Poncio acumula uma dívida de R$ 2,929 bilhões em dívida ativa com a União. O levantamento considera débitos tributários federais, multas e juros apurados no segundo trimestre de 2025.
Além da dívida bilionária, a família e empresas relacionadas têm bens imóveis avaliados em aproximadamente R$ 49,2 milhões, entre eles imóveis com anotações de indisponibilidade devido a pendências tributárias. Entre 2018 e 2023, foram adquiridos 16 imóveis, como uma casa em Mangaratiba e um apartamento na Avenida Lúcio Costa, no Rio de Janeiro, avaliados em R$ 31 milhões juntos.
O FNCP também identificou cinco processos de execução fiscal de ICMS no Rio de Janeiro, somando R$ 13 milhões após atualização.
Investigações da Polícia Federal e Operação Unha e Carne
Márcio Poncio tem sido alvo da Polícia Federal na 9ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada na quinta-feira (29), que apura lavagem de dinheiro e ocultação de bens. A operação cumpriu mandados de busca na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, onde foram encontrados indícios de estrutura patrimonial que inclui imóveis de alto padrão, aeronaves, veículos de luxo e empresas em nomes de familiares, colaboradores e terceiros.
Entre os investigados está Bernardo Coutinho Loyola, sobrinho do bicheiro Adilsinho — apontado como influente no comércio ilegal de cigarros no Rio de Janeiro e mencionado no relatório como parte do entorno dos negócios da família Poncio.
Márcio Poncio já havia sido preso na 5ª fase da Unha e Carne, em julho, mas teve a prisão convertida pelo Supremo Tribunal Federal em domiciliar. A nova fase decorreu da análise do celular do pastor, onde surgiram novos endereços e empresas relacionados ao grupo investigado.
Mercado ilegal de cigarros e impacto econômico
O relatório traça ainda um panorama do mercado ilegal de cigarros no Brasil, apontando que 31% do total vendido no país em 2025 veio da ilegalidade, o que corresponde a aproximadamente 32 bilhões de unidades. Tal mercado gerou uma evasão de cerca de R$ 8,5 bilhões em tributos naquele ano, enquanto o setor formal arrecadou R$ 26,5 bilhões em impostos.
O Fórum estima que as perdas cumulativas para a União decorrentes dessa atividade ilegal somam R$ 110 bilhões nos últimos 12 anos. O presidente do FNCP, Edson Vismona, relaciona o crescimento do crime organizado nessa área à alta rentabilidade e controle territorial dessas operações.
Empresas e pessoas envolvidas
Entre as empresas ligadas à família citadas no relatório estão a Clean Indústria e Comércio de Cigarros, Distribuidora Gudang Brasil, New Ficet Indústria e Comércio de Cigarros Importação e Exportação, Win Distribuidora de Cigarros, M1 Distribuidora de Cigarros e UM44K Produções e Eventos Artísticos — banda que teve Saulo Poncio, filho de Márcio, como integrante.
Também aparecem no documento Simone Poncio Silva de Souza, mulher do pastor Márcio Poncio, e Sarah Poncio Silva de Souza, filha e deputada estadual, que adquiriu uma sala comercial na Avenida das Américas em 2025 por R$ 723,883.50.
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