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Clínica de estética no Rio é investigada por mortes e sequelas graves após cirurgias estéticas

Três mortes e dezenas de complicações, incluindo infecções e deformidades, são apuradas pela Polícia Civil em clínica da Zona Sul do Rio de Janeiro.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga três mortes e pelo menos 30 casos de lesões em pacientes que passaram por cirurgias estéticas na clínica Celita Toledo, localizada no bairro de Laranjeiras, Zona Sul da capital fluminense.

Entre as vítimas estão mulheres como Isabely, que sofreu paradas cardíacas, e Jéssica, que faleceu devido a uma infecção após uma remodelação costal realizada na clínica. Além das mortes, o inquérito policial apura denúncias de complicações como perfurações, necroses, deformidades e cicatrizes assimétricas causadas pelos procedimentos.

A investigação indica que procedimentos cirúrgicos foram realizados por estudantes de pós-graduação em medicina sem a devida supervisão médica, fato que estaria ocultado nos documentos da clínica. As denúncias incluem relatos de pacientes que disseram não ter sido informadas sobre a participação desses alunos nas cirurgias.

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Vistorias realizadas pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) e pela Vigilância Sanitária encontraram irregularidades graves, como a ausência de anestesistas durante as cirurgias, falta de sala de recuperação adequada e medicamentos vencidos. Em decorrência, o Cremerj instaurou processo para interditar a clínica.

Pacientes como a professora Adriane relataram sequelas graves após os procedimentos. Ela contou que uma cirurgia no abdômen causou uma infecção severa e perda de tecidos na região operada, situação que foi inicialmente minimizada pela equipe da clínica. Ela também afirmou que o profissional responsável não era habilitado como cirurgião plástico.

Outra paciente, Gisele, afirmou que a retirada de glândulas de gordura abaixo dos braços resultou em diversas cicatrizes, dando continuidade ao sofrimento físico. Ela suspeita que mais de um profissional realizou sua cirurgia, reforçando as suspeitas de irregularidades investigadas pela polícia.

Já a comerciante Thaíse relatou que se submeteu a uma cirurgia de redução dos seios e colocação de próteses de silicone, porém ficou com resultados visivelmente assimétricos. Apesar de a clínica ter oferecido uma cirurgia reparadora, ela perdeu a confiança e não pretende retornar ao local.

Até o momento, o inquérito reúne denúncias de 24 outras mulheres que detalham sequelas e mutilações após cirurgias na mesma unidade. A proprietária da clínica, Celita Toledo, nega irregularidades nas operações.

Especialistas consultados durante a apuração destacam que as complicações, cicatrizes permanentes e relatos das pacientes demonstram a dimensão dos danos causados, ultrapassando inclusive os casos fatais e ressaltando a necessidade de apurar de forma rigorosa as condições em que as cirurgias foram realizadas.

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