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Roblox, funk e fandoms: estratégias da geração Z nas eleições

A geração Z usa jogos digitais, música e manifestações para expressar apoio a Flávio Bolsonaro e Lula nas eleições presidenciais de 2026.

As eleições presidenciais de 2026 no Brasil viram movimentos inovadores da geração Z, faixa etária entre 16 e 30 anos, que adotaram diferentes estratégias para apoiar os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Ambos os grupos uniram recursos digitais e ações presenciais para conquistar o eleitorado jovem no segundo turno.

Carreatas virtuais no Roblox

Uma das manifestações mais criativas ocorreu no Roblox, plataforma online de jogos onde usuários criam ambientes e experiências. Jovens apoiadores de Lula e Flávio organizaram carreatas virtuais, replicando eventos reais com buzinas, faixas e avatares personalizados, incluindo avatares de artistas falecidos como Kurt Cobain e Renato Russo. A reportagem do G1 teve acesso a esses eventos e observou, por exemplo, apoiadores de Flávio vestindo verde e amarelo, portando placas com dizeres como “Fora Lula” e simulando um carro de som do “Bloquinho do 22”. Do lado de Lula, as carreatas seguiam coordenadas semelhantes com avatares vestidos de vermelho com placas de apoio.

Manifestações universitárias em São Paulo

Presencialmente, houve atos em locais de ensino superior na capital paulista. Após o primeiro turno, estudantes do Mackenzie e outras instituições organizaram manifestações pró-Lula, enquanto dias depois grupos do Mackenzie, Insper, ESPM e Ibmec demonstraram apoio a Flávio. Os eventos contaram com a presença de políticos como as deputadas Luna Zarattini (PT) e Natalia Boulos (PSOL) no ato pró-Lula, e o deputado Lucas Bove (PL) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que participou via vídeo, no grupo pró-Flávio.

A mobilização musical e os blocos de carnaval

Flávio Bolsonaro adotou o funk como trilha de campanha, com músicas adaptadas para criticar o PT e incentivar manifestações, tornando-se viral e ganhando até a adesão de artistas sertanejos. A campanha criou também o “Bloquinho do 22”, inspirado nos blocos carnavalescos, com trios elétricos e grandes públicos, incluindo cerca de 71,9 mil pessoas na Avenida Paulista em 18 de outubro, segundo a USP.

Engajamento de fandoms e adesivos colecionáveis na campanha de Lula

Do lado do PT, houve o envolvimento de fãs organizados em fandoms de artistas como Taylor Swift, Beyoncé, Anitta e BTS, que passaram a realizar mutirões nas redes sociais e ativismo político digital. Lula chegou a agradecer publicamente esses grupos durante ato na Avenida Paulista. A campanha também inovou nos adesivos políticos, incluindo slogans humorados como “Gostosas com Lula”, e gerou colecionismo entre os jovens eleitores, que compartilhavam suas coleções online com o mesmo entusiasmo de cartas de jogos.

Impacto e dinâmica do voto jovem

Pesquisas do Datafolha indicam empate técnico na preferência dos jovens, com flutuações e diferenças por gênero: jovens mulheres tendem a apoiar Lula, valorizando políticas públicas, enquanto jovens homens apresentam mais inclinação a Flávio Bolsonaro. Especialistas destacam que o engajamento em ações como carreatas virtuais não muda o voto diretamente, mas influencia o diálogo entre famílias e amigos, o que pode ser decisivo em uma disputa apertada.

A aproximação da política com o cotidiano e o entretenimento, facilitada pelas novas mídias e plataformas online, torna a discussão eleitoral mais presente e acessível para a geração Z, ainda que os algoritmos e bolhas digitais limitem a exposição a diferentes pontos de vista.

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