Presidente do PT reconhece falhas na campanha de Lula e destaca necessidade de maior diálogo com aliados da ‘frente democrática’
Edinho Silva admite erros na coordenação da campanha presidencial no primeiro turno e destaca correções para o segundo turno.
O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) e coordenador da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva, Edinho Silva, admitiu nesta terça-feira (13) falhas na organização e articulação da campanha eleitoral no primeiro turno das eleições de 2026. Em entrevista à rádio CBN, Edinho afirmou que problemas registrados foram corrigidos para o segundo turno, destacando principalmente dificuldades na coordenação entre os estados e falhas na produção dos materiais de campanha.
Edinho explicou que o PT optou por descentralizar a coordenação da campanha, concedendo mais autonomia aos estados para acelerar a resolução de desafios locais. No entanto, ele reconheceu que o modelo não teve o desempenho esperado. “É evidente que nós tivemos falhas nessa estrutura”, afirmou o dirigente.
Também foi mencionada pela liderança petista a correção dos problemas ligados à produção dos materiais de campanha, considerado o principal entrave na etapa inicial do pleito. Ele ressaltou que a campanha está mobilizada para o segundo turno, ampliando o apoio de lideranças estaduais, ainda que o número de partidos aliados não tenha aumentado.
O presidente do PT demonstrou otimismo com o desempenho de Lula na fase final da disputa presidencial. “Nós estamos com um ambiente de mobilização muito forte. Não temos nenhuma dúvida de que a nossa onda é uma onda de crescimento, as pesquisas em breve vão registrar isso”, declarou.
Sobre os debates do segundo turno, Edinho confirmou a participação do presidente Lula e afirmou que o candidato do PT deseja um confronto direto com Flávio Bolsonaro, representante do PL.
Reconhecimento de falhas no diálogo com aliados da ‘frente democrática’
Na mesma entrevista, Edinho Silva reconheceu que a campanha poderia ter mantido um diálogo mais amplo com setores que apoiaram Lula no segundo turno de 2022, especialmente aqueles alinhados em defesa da democracia e integrantes da chamada ‘frente democrática’.
“Eu acho que a gente tem que reconhecer falhas. Eu acho que nós poderíamos ter dialogado mais com os setores que vieram conosco no segundo turno [de 2022]. Nós temos que retomar esse contato. Nós temos que fazer essa avaliação crítica do nosso lado”, afirmou o dirigente.
Edinho também avaliou que, no governo federal, faltou uma figura responsável especificamente pela promoção desse diálogo. Ele citou o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (o “Conselhão”) como uma iniciativa que tentou aproximar esses setores, mas considerou que talvez não tenha sido suficiente para garantir uma interlocução mais direta e efetiva.
“Por mais que o Conselhão tenha trazido esses setores para dentro do governo para dialogar, talvez a gente pudesse ter feito diálogos mais diretos. Nós temos que reconhecer essa falha. Nós temos que retomar essa capacidade de diálogo, porque o que está em jogo no Brasil é muito grande. É o futuro das próximas gerações”, declarou Edinho Silva.
Desafios para aprovação de reformas e construção de base no Congresso
Questionado sobre as dificuldades de aprovação de reformas diante de um Congresso Nacional conservador e da expectativa de uma composição parlamentar ainda mais desafiadora para o PT na próxima legislatura, Edinho afirmou que o governo precisa ampliar a base de apoio na sociedade.
“É evidente que hoje, no Congresso Nacional, nós não temos maioria. O povo brasileiro sabe disso. Nós temos que construir uma maioria na sociedade, formar opinião pública, ter força política para que a gente faça as mudanças”, comentou o presidente do PT.