Pular para o conteúdo Eleições 2026 · 2º turnoPresidente Apuração encerrada · 100% das urnas LulaEleito 51,79% Flavio BolsonaroPL 48,21% RESULTADO DETALHADO →

PIB cresce e desemprego cai no governo Lula, mas juros pesam

Terceiro mandato de Lula registra crescimento econômico e queda do desemprego, mas custos elevados afetaram o orçamento familiar.

Durante o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, a economia brasileira apresentou crescimento significativo do Produto Interno Bruto (PIB) e atingiu o menor índice de desemprego da série histórica, com avançada renda média do trabalho. Porém, estes avanços econômicos não foram suficientes para eliminar as dificuldades enfrentadas pelas famílias, que continuaram impactadas por custos elevados, dívidas e juros altos.

Principais indicadores econômicos (2023-2026)Evolução do PIB, desemprego e taxa Selic no período do terceiro mandato de Lula
0%5%10%15%2023202420252026
  • PIB (% crescimento anual)
  • Taxa de Desemprego (%)
  • Taxa Selic (%)

O crescimento da economia, que se estendeu por três anos consecutivos, foi acompanhado pela ampliação do emprego formal e pelo aumento da renda real, conforme dados fornecidos pelo Banco Central e por órgãos de pesquisa. Ainda assim, economistas alertam que esses números agregados mascaram as desigualdades nos ganhos econômicos entre os diferentes setores e grupos sociais.

Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre), destaca que setores como agropecuária e indústria extrativa são fortemente influenciados por fatores externos, como os preços internacionais das commodities, ao passo que comércio e parte da indústria dependem principalmente do consumo doméstico.

Leia também: Lula toma posse para 4º mandato em 5 de janeiro de 2027

No mercado de trabalho, a geração de novas vagas concentrou-se sobretudo em serviços que demandam menor qualificação, enquanto empregos com maior exigência educacional e melhor remuneração tiveram crescimento mais limitado, segundo o professor José Luis Oreiro, da Universidade de Brasília (UnB). O salário mínimo, atualmente em R$ 1.621, embora reajustado acima da inflação, ainda está próximo a patamares reais de anos anteriores, como 2012 e 2013.

Além disso, o custo elevado dos alimentos impõe pressão sobre as famílias de baixa renda, para as quais a alimentação representa uma fatia maior do orçamento. Mesmo com a desaceleração da inflação, a persistência na alta dos preços afeta o poder de compra dessas famílias.

Outro elemento que compromete o orçamento doméstico é o endividamento crescente. Dados do Banco Central indicam que, em julho de 2026, as famílias destinavam 28,7% da renda mensal ao pagamento de dívidas, das quais 11,5% eram relativos a juros. A proporção de famílias endividadas subiu para 81,7% em setembro deste ano, com o cartão de crédito como principal modalidade de dívida.

Para tentar aliviar essa situação, o governo realizou três edições do programa de renegociação de dívidas chamado Desenrola. Apesar de ajudar no curto prazo, especialistas apontam que o programa não resolve as causas estruturais do endividamento, como os juros elevados e as dificuldades de planejamento financeiro das famílias.

Na esfera fiscal, o controle dos gastos públicos se mostrou desafiador, principalmente devido a reajustes do salário mínimo, vinculação de gastos em saúde e educação e expansão dos benefícios sociais, fatores que pressionaram as contas públicas. Em agosto de 2026, a dívida bruta do governo geral alcançou 82,9% do PIB, equivalente a R$ 11,1 trilhões.

Essa situação contribuiu para oscilações na taxa básica de juros, Selic, que começou 2023 em 13,75% ao ano, recuou para 10,5% em 2024, subiu para 15% em 2025 e estava em 13,75% perto do segundo turno das eleições de 2026. Economistas classificam essa dinâmica como um multiplicador fiscal negativo, em que o aumento dos gastos públicos acaba pressionando inflação e juros ao invés de estimular o crescimento.

Apesar das críticas, houve avanços com a aprovação da reforma tributária sobre o consumo, que visa simplificar o sistema e reduzir distorções, além da manutenção da autonomia do Banco Central sob a presidência de Gabriel Galípolo, indicado pelo presidente Lula.

Na política industrial, no entanto, os resultados foram mais restritos, com impacto limitado sobre o PIB da indústria de transformação e geração de empregos, devido a juros elevados e valorização do real, que dificultaram investimentos e tornaram produtos menos competitivos no exterior.

O contexto político e social também influenciou a percepção dos resultados econômicos. Mudanças no perfil da classe média, com maior valorização do empreendedorismo e menor dependência de políticas sociais, além da polarização política, afetaram a avaliação do governo e o alcance eleitoral. Muitos analistas apontam que a vitória de Lula em 2026 decorreu mais de um amplo bloco contra Jair Bolsonaro do que do apoio ao projeto petista, indicando a complexidade do cenário político atual.

Comentários

Entre na sua conta para comentar esta matéria.

📰 Veja também