Lula evita citar Flávio e foca em pacificar o país
Presidente deve concentrar discurso no seu mandato e tratar caso do senador como questão judicial, dizem interlocutores.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva será orientado por aliados a não comentar mais publicamente a situação do senador Flávio Bolsonaro, partidário do PL, e a concentrar sua comunicação na consolidação do seu quarto mandato.
De acordo com interlocutores próximos ao presidente, o caso de Flávio Bolsonaro, que deixou o país recentemente, deve ser tratado como uma questão vinculada ao Judiciário, indicando que o Executivo precisa manter distância das repercussões judiciais que envolvem o senador.
Em uma declaração no dia 27 de outubro, durante a celebração do seu aniversário, Lula criticou Flávio Bolsonaro pela saída do Brasil, considerando 'vergonhoso' o fato, e fez um paralelo com sua própria decisão de permanecer no país para enfrentar processos da Lava Jato, período no qual esteve preso por 580 dias.
No entanto, o presidente destacou a importância de um momento de pacificação política no país, evitando impasses que possam agravar o clima político.
Aliados reforçam que insistir em críticas ao senador pode fragmentar a oposição e fortalecer a mobilização dos apoiadores de Bolsonaro no exterior, sugerindo que o chefe do Executivo deixe que os adversários lidem com a situação do próprio Flávio.
Além disso, a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil gera repercussões internas na oposição, com líderes do PL, como Rogério Marinho, manifestando insatisfação, e aumentando as dificuldades do partido para avançar em disputas importantes, como a presidência do Senado.
Enquanto isso, representantes do Republicanos e da família Bolsonaro sinalizam uma reorganização da oposição em torno das lideranças de Tarcísio Gomes de Freitas e Michelle Bolsonaro, segundo interlocutores ouvidos.



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