Lula amplia votos em todas faixas de renda e cresce mais na classe média baixa
Análise de seções eleitorais mostra votação de Lula avançando principalmente na renda de 1,6 a 1,8 salário mínimo.
Uma análise cruzada dos resultados das seções eleitorais das eleições de 2026 com dados de renda do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que o presidente reeleito Lula ampliou sua votação em todas as faixas de renda do país. O destaque ficou com as regiões de classe média baixa, com renda média mensal entre R$ 2.590 e R$ 2.920 — aproximadamente 1,6 a 1,8 salário mínimo por responsável pelo domicílio —, onde Lula subiu de 44,4% para 51,6% dos votos válidos no segundo turno.
Lula foi o mais votado nas áreas com renda até R$ 2.920, crescendo principalmente onde a renda é intermediária. Nas regiões de renda até R$ 1.780 por mês, ele obteve 74,2% dos votos válidos.
Diferenças regionais e limites do avanço
Em oito dos nove estados do Nordeste, Lula liderou em todas as faixas de renda no segundo turno, inclusive em áreas com renda superior a R$ 7.130, como na Bahia, onde alcançou 60,7%, e em Pernambuco, com 57,4%.
No Sul e Centro-Oeste, porém, o crescimento foi concentrado nas faixas menores, com destaque para a faixa até R$ 1.780, enquanto em faixas de renda maiores o desempenho caiu consideravelmente. Em Mato Grosso, o percentual nas áreas mais pobres foi de 76,8%, caindo para 25,2% nas mais ricas.
O Rio de Janeiro foi o estado onde a relação entre renda e votação foi invertida: Lula perdeu nas faixas até R$ 7.130, onde o representante do PL, Flávio Bolsonaro, teve maioria, e liderou apenas nas áreas mais ricas, com 53,1%.
O estudo considera a renda média das seções eleitorais em 2022, quatro anos antes da eleição, e não permite identificar o comportamento individual de eleitores, apenas a tendência das regiões. O eleitor também pode votar fora de seu domicílio.
Comparação entre os turnos
Lula melhorou seu desempenho em todos os níveis de renda entre o primeiro e o segundo turno, com crescimento de 4,8 a 7,2 pontos percentuais dos votos válidos, sendo menor nas regiões mais pobres e maior na classe média baixa.
Já Flávio Bolsonaro teve pouca variação, crescendo levemente em algumas faixas, mas com desempenho inferior ao do petista, que capturou parte dos votos que antes eram de outros candidatos.
Nas áreas onde Flávio tinha vantagem no primeiro turno, principalmente entre R$ 2.590 e R$ 2.920 de renda, Lula virou a disputa no segundo e assumiu a liderança com folga.
Comportamento em estados grandes
São Paulo e Minas Gerais, os maiores colégios eleitorais, apresentaram perfil semelhante ao nacional, com Lula liderando até a faixa de renda de R$ 2.920 e perdendo em faixas superiores. Em São Paulo, o desempenho de Lula variou de 56,8% nas áreas mais pobres a 43,4% nas mais ricas, enquanto em Minas a variação foi mais acentuada, de 67,3% para 43,8%.
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