Governistas tentam aprovar PEC da Segurança e indicação no Senado
Para facilitar aprovação, aliados do governo querem acelerar votações no último bimestre de 2026.
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificam esforços para aprovar matérias de interesse do governo nos últimos dois meses de 2026. A movimentação visa antecipar decisões diante da nova composição do Congresso Nacional que assume em 2027.
Entre os temas priorizados está a PEC da Segurança Pública, que possibilita a criação do Ministério da Segurança Pública, e está pronta para votação no plenário do Senado. O adiamento ocorreu após a oposição tentar incluir a discussão sobre a redução da maioridade penal no texto.
Além disso, governistas avaliam a indicação de um novo ministro para o Supremo Tribunal Federal (STF), em substituição ao aposentado Luís Roberto Barroso. O advogado-geral da União, Jorge Messias, teve sua nomeação rejeitada pelo Senado. Agora, o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco, atual ministro do Tribunal de Contas da União, é cotado como uma escolha mais provável para conseguir aprovação.
A manutenção de Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) nas presidências da Câmara e do Senado, respectivamente, é fundamental para o governo. Ambos apoiaram a campanha de Lula e estariam em posição privilegiada para articular a agenda governista, contando com apoio para disputar a eleição nas Mesas Diretora dos dois poderes, marcada para fevereiro de 2027.
Além das pautas urgentes, membros do Centrão demonstram interesse em discutir, ainda este ano, proposições sobre a maioridade penal e uma possível reforma no sistema eleitoral brasileiro, que tem sido criticado por gerar distorções na representatividade dos partidos.
No campo fiscal, parlamentares da base defendem a necessidade de apresentar medidas de ajuste para compor o Orçamento de 2027. Isso decorre das promessas feitas por Lula durante sua campanha, além da adoção recente de regras para o teto de gastos e arcabouço fiscal.
Outra proposta que está em tramitação avançada na Câmara prevê a redução da maioridade penal para 16 anos, mas apenas para crimes hediondos, alinhada à posição apresentada pelo presidente Lula em seu discurso de campanha. No Senado, por outro lado, a oposição tenta reduzir ainda mais a faixa etária, para 14 anos em casos graves, e aplicar a maioridade de 16 anos para todos os crimes.
Alguns deputados também defendem o início do debate sobre uma reforma do Judiciário, ainda sem definições claras, incluindo pontos como a criação de mandato para ministros do STF e alterações na Lei do Impeachment, buscando consenso para ampliar o rigor na abertura de processos contra ministros da Corte.
Em síntese, os governistas e membros do Centrão tentam aproveitar a atual configuração do Congresso para aprovar propostas estratégicas antes da entrada de uma legislatura mais fortalecida pela direita, que pode dificultar a aprovação dessas matérias.




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