Flávio Bolsonaro justifica pedido de R$ 134 milhões a Vorcaro para filme que custou R$ 75 milhões
Em entrevista, Flávio Bolsonaro afirmou que contrato não foi cumprido e explicou a diferença no valor solicitado para o financiamento do filme "Dark Horse".
Em entrevista concedida à TV Globo em 16 de outubro de 2026, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro comentou sobre o financiamento do filme "Dark Horse", que retrata a história do ex-presidente Jair Bolsonaro, seu pai.
Questionado sobre o fato de ter pedido R$ 134 milhões ao empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para um filme que, segundo a produtora Go UP Entertainment, custou R$ 75 milhões, Flávio declarou: "Era um contrato que não foi cumprido. E, com os recursos, né, que foram aportados por ele e mais outros investidores, nós conseguimos concluir o filme".
A Polícia Federal investiga possíveis crimes relacionados ao financiamento da obra, incluindo lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Flávio Bolsonaro está sob apuração no inquérito, e a PF solicitou ao Supremo Tribunal Federal autorização para estender as investigações por mais 90 dias.
Leia também: PF pede prorrogação de inquérito sobre financiamento do Dark Horse
Durante a entrevista, conduzida pela jornalista Renata Lo Prete, Flávio também foi questionado sobre a transferência de cerca de R$ 70 milhões para um fundo imobiliário nos Estados Unidos, gerido por um advogado amigo de seu irmão Eduardo Bolsonaro e inativo havia quatro anos. Ele afirmou que o fundo apenas faz a gestão do filme e que a produtora prestou contas sobre o uso dos recursos, alegando que nenhum gasto ocorreu sem autorização do fundo.
Flávio Bolsonaro reiterou que o financiamento foi fruto de uma relação privada, com dinheiro lícito e sem contrapartidas pelo fato de ocupar cargo público. Ele comparou com supostas práticas envolvendo o ex-presidente Lula, mencionando alegações relacionadas a Daniel Vorcaro e aportes em fundos de pensão, que, segundo ele, devem ser objeto de investigação.
A jornalista esclareceu que as compras de patrocínio observam regras de transparência e não interferem na independência editorial da emissora, além de destacar que informações não confirmadas pela TV Globo ou órgãos oficiais não seriam abordadas na entrevista.
Quando questionado sobre a escolha de Daniel Vorcaro como financiador entre diversas instituições financeiras, Flávio afirmou ter conversado com diversos investidores, e Vorcaro foi um dos que aceitou participar, ressaltando que o empresário não teria tido irregularidades na época da negociação.
Flávio também comentou a respeito de um áudio atribuído a Vorcaro, confirmando que a voz era dele, no qual o empresário teria declarado que o financiamento do filme sobre Bolsonaro foi legal e que teve irregularidades no financiamento de outro filme sobre Lula, tema que a jornalista preferiu não explorar por não possuir confirmação oficial.
O caso permanece acompanhado pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, que negaram afirmações relacionadas a suposto financiamento do documentário "Lula" por Vorcaro em delação premiada.
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