Denúncias de assédio eleitoral no trabalho crescem em 2026
Ministério Público do Trabalho aponta aumento e orienta como denunciar pressão política no ambiente profissional.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) contabilizou 3.290 denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho durante o ano de 2026 até o dia 28 de outubro. Esse número inclui cerca de 2,5 mil relatos somente em outubro, representando um aumento de aproximadamente 353% em relação ao mês anterior, quando foram registradas 552 queixas.
A pressão para que empregados votem em determinados candidatos, ameaças de demissão e a exigência de participação em campanhas são algumas das práticas que configuram o assédio eleitoral no trabalho, segundo a Resolução CSJT nº 355/2023, da Justiça do Trabalho. Este tipo de conduta pode ocorrer inclusive por meio de mensagens, grupos e redes sociais.
Regiões com mais denúncias
O estado de São Paulo lidera o número de queixas, com 350 registros, seguido por Minas Gerais (212) e Rio de Janeiro (169). No intervalo entre os dois turnos das eleições, o MPT recebeu 946 denúncias. Até o momento, o fluxo de reclamações está próximo ao registrado nas eleições de 2022, quando foram informados mais de 3,3 mil casos, o que representou um crescimento de 1.600% em relação a 2018.
Processos na Justiça do Trabalho
Além das denúncias, a Justiça do Trabalho registrou 863 processos relacionados a assédio eleitoral desde maio de 2023, sendo 233 deles em 2026. Esses processos refletem demandas ajuizadas e não necessariamente indicam comprovação da prática.
Formas e consequências do assédio eleitoral
O assédio eleitoral ocorre quando empregadores, gestores ou outras pessoas exercem coação, intimidação, ameaças ou outros constrangimentos para influenciar o voto dos trabalhadores. Pode incluir a distribuição de material político no trabalho ou tratamento desigual por causa de convicções políticas.
Segundo o procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo Oliveira, a prática representa risco à democracia. O MPT tem atuado com liminares e termos de ajuste de conduta para impedir e reparar danos causados por essas condutas.
Como denunciar
Trabalhadores que se sentirem vítimas de assédio eleitoral podem denunciar ao MPT, inclusive por canais eletrônicos, podendo optar pelo anonimato ou solicitar sigilo das informações. É recomendável fornecer detalhes como nome da empresa, pessoas envolvidas, datas, locais e provas como mensagens, fotos ou vídeos.
As denúncias podem ser encaminhadas à Justiça Eleitoral ou ao Ministério Público Eleitoral quando indícios de crime eleitoral forem identificados.



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