A polêmica prorrogação da votação pelo TSE foi nível Copa do Mundo
O clima ontem foi de final de Copa, e teve direito até a prorrogação. Com brasileiros divididos, aos 45’ do segundo tempo, uma decisão do TSE prorrogou as votações no Brasil pela primeira vez na história do país.
Tudo começou pela tarde, quando a campanha do PT solicitou a extensão do horário da votação em três municípios baianos: Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas. O motivo para o pedido eram os problemas nos serviços de transportes públicos das cidades, principalmente falta de efetivo de ônibus.
Em entrevista, Lula criticou os prefeitos dos municípios, acusando-os de “banditismo”. A Justiça Eleitoral determinou a prisão do Secretário de Mobilidade de Salvador — mas ele estava em viagem a Paris.
O prefeito de Salvador negou erro, afirmou que sindicalistas colaram adesivos do Lula em ônibus públicos, prejudicando a operação. Por lei, transportes não podem circular com propaganda política. Ele postou imagens do ocorrido.
Às 16h, a campanha do PT protocolou uma petição no STF e no TSE com pedido de liminar de urgência solicitando a prorrogação do horário de encerramento da votação até as 19h em mais municípios de outros nove estados além da Bahia, incluindo SP, PE e RJ.
Na sequência, às 16h40, a campanha do Flávio Bolsonaro pediu ao TSE mais 2 horas de votação em 17 municípios de SP, PR e SC, afirmando que chuvas, alagamentos e interdições dificultaram a chegada de eleitores às urnas.
Pouco depois de 17h, sem uma definição do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, foi divulgada a decisão do ministro do STF, Cristiano Zanin, sorteado relator do caso, determinando que o TSE prorrogasse as urnas em todo o país até as 19h.
Segundo a jornalista Malu Gaspar, a decisão de Zanin, ex-advogado pessoal de Lula e indicado por ele ao Supremo, em 2023, gerou insatisfação nos outros ministros do STF.
Às 17h49, uma hora depois do que seria o horário do fim das urnas, Kassio Nunes assinou um documento oficializando a prorrogação nas urnas ainda abertas.
Mas nesse meio tempo a coisa escalou…
Os Tribunais Regionais Eleitorais de vários estados se pronunciaram contra a decisão, por já terem fechado muitas urnas. As máquinas de votação têm um sistema que, por segurança, torna impossível reabri-las para novos votos.
Ou seja, na prática, alguns “atrasados do ENEM das eleições” que tentaram votar acabaram dando de cara com portões fechados, enquanto outros conseguiram votar.
Com a repercussão e a polêmica, Kassio Nunes disse que a decisão valia apenas para as urnas que estavam abertas, alterando a decisão anterior.
Em meio à turbulência, fato é que as últimas urnas fecharam às 19h, mas diversas urnas fecharam às 17h, marcando algo duplamente sem precedente na história do país — a prorrogação e diferentes urnas fechando em horários diferentes.
Com toda essa confusão, a coletiva de Flávio Bolsonaro após os resultados foi de tom duro e criticando toda a situação. Ele não citou, nem reconheceu formalmente, a vitória de Lula. Em outras palavras, ainda tem muita água para rolar debaixo dessa ponte…
Depois da vitória do presidente Lula, o clima do país ficou dividido em dois cenários. Enquanto apoiadores tomaram as ruas em comemorações, a oposição ficou decepcionada com o resultado e insatisfeita com as decisões tomadas pelo TSE.
Milhares de eleitores que apertaram 13 nas urnas tomaram diversos pontos do Brasil. O presidente fez seu primeiro discurso pós-resultado final ao lado de apoiadores e membros de sua equipe. Alguns highlights:
Disse que o país precisará regular as redes sociais, que a comunicação digital vai ganhar um espaço grande no governo. Fez um agradecimento especial ao Janones, criador do Exército do Lula.
Logo no início da fala, passou o microfone para Geraldo Alckmin, ressaltando a sua importância para o governo.
Disse que “o Corinthians está parecendo o Bolsonaro, só perde” e disse que trabalhará para governar com o Congresso conservador eleito.
E o Flávio? Falou?
Do outro lado, Flávio Bolsonaro não reconheceu o resultado das eleições e disse que pedirá a anulação devido ao contexto. Ele criticou a decisão do Zanin, citando quebra de isonomia entre os brasileiros de diferentes cidades.
O argumento é de que, mesmo após a determinação de estender o tempo, seções eleitorais já tinham sido fechadas, o que pode ter prejudicado a quantidade de votos do Flávio.
Durante a sua breve fala depois do resultado final, Flávio ainda disse que os fiscais do PL foram retirados da sala-cofre depois que as eleições “foram tomadas”. Pense na sala-cofre do TSE como a “war room” dos dados e apuração de resultado.
Em coletiva após conclusão da apuração, Nunes Marques, presidente do TSE, parabenizou os dois e reconheceu o resultado das eleições. Nos próximos dias, a equipe de Flávio deve tentar a anulação do resultado.
Se for comprovado que irregularidades afetaram um número suficiente de votos para comprometer a eleição, a legislação prevê uma nova votação em prazo determinado pelo TSE.
Diversos jornais internacionais — como WSJ, Reuters e Bloomberg — repercutiram o resultado das eleições, destacando a vitória de Lula e o quarto mandato como presidente.
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