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Maior onda de calor da história atingiu 85% do planeta

Estudo da Reuters revelou que tempestades de calor gigantescas tornaram-se frequentes e prolongadas desde a década de 1960.

Um estudo da Reuters detalha a ocorrência da maior onda de calor já registrada, que se estendeu por 367 dias consecutivos entre 2023 e 2024, atingindo cerca de 85% do globo terrestre. Esse fenômeno, classificado como uma "tempestade de calor" pela agência, representa uma transição dos eventos típicos de ondas de calor para eventos de grande escala, duradouros e capazes de afetar praticamente todo o planeta.

Historicamente, as ondas de calor eram eventos esporádicos e localizados, como a maior onda de calor da década de 1960, que atingiu cerca de 6% da superfície terrestre em 46 dias, afetando o Oceano Atlântico, partes da América Latina e da África Ocidental. Porém, nas últimas décadas, esses episódios se tornaram mais frequentes, amplos e prolongados, impulsionados pelo aumento dos gases de efeito estufa e mudanças climáticas globais.

Definição e impacto das tempestades de calor

A Reuters adotou uma definição conservadora para ondas de calor como períodos de cinco ou mais dias consecutivos de temperaturas anormalmente altas. Para eventos que atingem ao menos 1% da superfície terrestre, foram cunhados como "tempestades de calor" – acompanhadas de nome para facilitar o acompanhamento, semelhante a furacões.

Atualmente, há uma média anual de cerca de 102 tempestades de calor, em contraste com apenas cinco por ano na década de 1960. A maior delas, denominada Tempestade de Calor Vera, não apenas durou mais de um ano, mas teve efeitos devastadores globalmente, incluindo temperaturas de até 38°C nas Filipinas, onde estudantes sofreram com sangramentos nasais e desconforto extremo causados pelo calor. Na Louisiana (EUA), a mesma onda causou secas históricas e o pior incêndio florestal desde a Segunda Guerra Mundial, o que gerou uma neblina mortífera que provocou um engavetamento com 158 carros e sete mortos.

Outros efeitos incluíram o desenvolvimento de um ciclone no Mediterrâneo em 2023 que destruiu partes da Líbia após o rompimento de barragens, e o calor extremo na Arábia Saudita durante o Hajj, que elevou temperaturas a 51,8°C na Grande Mesquita de Meca e matou mais de 1.300 peregrinos.

Crescimento exponencial do fenômeno e consequências globais

Os registros indicam que a área afetada por essas tempestades de calor cresceu mais de 12 vezes desde a década de 1960, acompanhando o aumento das concentrações de dióxido de carbono na atmosfera que passaram de 30% nesse período. Enquanto as ondas e tempestades de frio diminuíram em área quase 80%, o calor extremo se tornou a principal causa de mortes relacionadas ao clima, com estimativas de quase meio milhão de mortes anuais.

A existência de tempestades de calor tão duradouras e frequentes demonstra uma nova realidade climática que exige atenção. Elas provocam impactos severos como fome, inanição, conflitos por recursos, além de agravar eventos como secas, incêndios e complicações na gravidez.

Importância da nova classificação e monitoramento

A criação da categoria "tempestade de calor" e a atribuição de nomes são consideradas avanços importantes para conscientizar a população e auxiliar na gestão de riscos, conforme especialistas consultados pela Reuters. Essa nomenclatura permite o acompanhamento dos fenômenos e torna visíveis eventos climáticos que antes passavam despercebidos quando tratados como ondas de calor isoladas.

Desde 2008, uma cascata de tempestades de calor não interrompida vem afetando o planeta por mais de 18 anos, com múltiplas megatempestades que atingiram uma área superior a 10% da superfície terrestre, marcando uma nova era no clima global.

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