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Especialistas questionam dados venezuelanos sobre maiores

Venezuela afirma ter 303,7 bilhões de barris em reservas comprovadas, mas análise aponta números inflacionados e recuperação limitada.

A Venezuela afirma possuir 303,7 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo, colocando o país como o maior detentor dessas reservas no mundo. Contudo, especialistas ouvidos pela Associated Press (AP) contestam a confiabilidade desses dados, sugerindo que o total efetivamente recuperável, nas condições atuais, varia entre 60 bilhões e 120 bilhões de barris, volume insuficiente para ultrapassar a Arábia Saudita.

O tema trouxe nova atenção após o anúncio em agosto pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de um acordo que daria aos norte-americanos o controle de 65 bilhões de barris de reservas venezuelanas. O acordo, descrito como o maior da história pela Casa Branca, foi apresentado como um meio para fortalecer as reservas estratégicas norte-americanas e aliviar os preços da gasolina. No entanto, a avaliação de vários especialistas aponta que esse número inclui campos de exploração técnica complexa e reservas quase esgotadas, especialmente na Faixa do Orinoco.

Evanan Romero, ex-funcionário do setor energético venezuelano, afirmou ser impossível acreditar nos 65 bilhões de barris referidos no acordo e criticou a ausência de verificação rigorosa da parte dos EUA. A porta-voz da Casa Branca, Taylor Rogers, defendeu o acordo, ressaltando o impacto positivo para a estabilização econômica da Venezuela, afligida por hiperinflação e penúria de investimentos.

Pesquisadores como Luisa Palacios, da Universidade Columbia, e Francisco Monaldi, da Universidade Rice, avaliaram que apenas uma fração mínima dessas reservas representa petróleo extraível com alta probabilidade, estimando que as reservas verdadeiramente comprovadas e recuperáveis a curto prazo são muito inferiores ao declarado. Uma das dificuldades técnicas advém do elevado grau de viscosidade do petróleo da região, o que encarece a extração diante da instabilidade política e econômica vigente.

Historicamente, as dúvidas sobre os dados venezuelanos surgiram desde o governo de Hugo Chávez quando houve um levantamento na Faixa do Orinoco, tendo a consultoria Ryder Scott calculado presença de mais de 1 trilhão de barris no subsolo, porém sem comprovar reservas recuperáveis. A PDVSA, estatal do setor, em 2011 reportou um aumento significativo das reservas comprovadas, porém sem detalhar as metodologias utilizadas, levantando suspeitas de inflacionamento dos números em até três vezes.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) mantém a Venezuela no topo do ranking desde 2011, repetindo a cifra de 303,7 bilhões de barris no relatório de 2026, mesmo após críticas e ausência de atualização dos dados segundo especialistas. Tal número é utilizado por governos e setores da oposição para justificar empréstimos internacionais substanciais.

O desconhecimento das condições reais das reservas aumenta a cautela entre potenciais investidores na indústria petroleira venezuelana. Francisco Monaldi destaca que a ausência de atualização nos números oficiais desperta desconfiança global. Até o momento, os governos da Venezuela e a Opep não responderam oficialmente às críticas levantadas pela AP.

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