Eleições nos EUA podem tirar Congresso dos republicanos
Mesmo com o apoio dos eleitores de Trump, candidatos republicanos enfrentam dificuldades para garantir vitória no Congresso dos EUA.
Os republicanos enfrentam desafio nas eleições legislativas dos Estados Unidos, mesmo com alta fidelidade dos eleitores de Donald Trump. Segundo pesquisa discutida no programa Mapa de Risco do InfoMoney, entre 77% e 80% dos que votaram em Trump em 2024 pretendem apoiar candidatos republicanos em 2026. Por sua vez, entre os eleitores de Kamala Harris, a intenção de voto nos democratas varia de 87% a 90%.
Ocorre, contudo, que a diferença mais expressiva aparece ao considerar os eleitores insatisfeitos com seus próprios partidos. Menos da metade dos apoiadores de Trump insatisfeitos com o Partido Republicano indicam intenção de votar em seus candidatos, enquanto 73% dos democratas descontentes permanecem leais.
André Lucena, repórter de Internacional do InfoMoney, destaca que essa discrepância demonstra uma transformação na política americana. A força eleitoral pessoal de Trump não se confunde com a força institucional do Partido Republicano, que deverá disputar o Congresso sem a presença direta do presidente nas cédulas.
Lucena compara o fenômeno americano ao bolsonarismo no Brasil, em que lideranças personalistas passaram a representar grande parte da identidade e mobilização eleitoral de seus campos ideológicos.
Além disso, a eleição acontece num contexto de desgaste da administração americana e insatisfação econômica, fatores que podem aumentar a mobilização de eleitores contrários ao presidente e dificultar a vitória republicana.
Contexto e reações
A professora de Relações Internacionais Ana Carolina Marson, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, avalia que a atual conjuntura eleitoral reflete mais rejeição a Trump do que adesão aos democratas. Segundo ela, o cenário é semelhante ao contexto da eleição de 2016, marcada por rejeição às elites políticas tradicionais.
As eleições de meio de mandato nos EUA costumam funcionar como um termômetro do governo em exercício. Com o voto facultativo, a mobilização de eleitores insatisfeitos é um fator decisivo - principalmente em distritos disputados.
Para Trump e o Partido Republicano, o desafio não é apenas conservar a base fiel, mas converter essa fidelidade em votos para demais candidatos do partido, sem contar com o nome do presidente em urna.
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