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Centro de São Luís tem 4h30 a mais de calor que Litorânea

Pesquisa da Uema e UFMA revela que baixa circulação dos ventos eleva desconforto térmico no Centro da capital maranhense.

O Centro de São Luís registra, em média, quatro horas e 30 minutos a mais de calor intenso por dia do que a Avenida Litorânea. Esse dado é resultado de um estudo assinado pela professora Maria Iranilde Almeida Costa Pinheiro, da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), e pelo pesquisador Juarez Mota Pinheiro, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), publicado na Revista Brasileira de Geografia, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A pesquisa analisou a sensação térmica em duas áreas distintas da capital maranhense utilizando o índice Physiological Equivalent Temperature (PET), que avalia o conforto térmico humano em ambientes externos a partir de variáveis meteorológicas e respostas fisiológicas.

Diferenças nas condições meteorológicas e impacto na sensação de calor

No Centro de São Luís, o índice PET médio foi de 30,7°C, enquanto na Avenida Litorânea alcançou 26°C, indicando uma diferença de 4,7°C na sensação térmica. O monitoramento ocorreu próximo à Biblioteca Pública Benedito Leite, no Centro, e ao Círculo Militar, na Avenida Litorânea, com equipamentos instalados que coletaram dados meteorológicos durante cinco campanhas de 24 horas cada.

Uma das causas para o desconforto térmico mais acentuado no Centro é a baixa velocidade dos ventos — cerca de 0,5 metro por segundo — comparado aos 3,5 metros por segundo na Litorânea, onde a circulação dos ventos ajuda a amenizar as temperaturas. A presença reduzida de áreas verdes e o tipo de planejamento urbano também são apontados como fatores que influenciam o calor mais intenso na região central.

Contribuições para o planejamento urbano e qualidade de vida

Os pesquisadores destacam a relevância de considerar as características da ocupação urbana, tais como arborização e preservação de espaços naturais, no planejamento público das cidades de clima tropical quente e úmido como São Luís. Estratégias que ampliem as áreas verdes e promovam a circulação dos ventos podem melhorar as condições de conforto térmico para a população.

Além do impacto direto na saúde pública e no bem-estar, o conforto térmico influencia a adaptabilidade das cidades às mudanças climáticas e o uso dos espaços urbanos para atividades econômicas e turísticas.

Tags: São LuísUFMAUemacalor intensoclima

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