Setor financeiro brasileiro apresenta ações para transição verde na COP31
Bancos e seguradoras apresentam propostas para financiar economia sustentável e ampliar seguros rurais na conferência na Turquia.
O setor financeiro brasileiro participa da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP31), realizada em Antália, na Turquia, com o objetivo de demonstrar compromisso institucional para promover a transição a uma economia de baixo carbono.
Após discutir os desafios climáticos durante a COP realizada em Belém, no ano anterior, uma delegação composta por executivos e representantes de entidades do setor chega à Riviera Turca com um conjunto de medidas para fortalecer a agenda ambiental. Entre as propostas estão instrumentos que viabilizem o financiamento da transição verde, atraiam capital privado, fomentem o mercado de carbono e ampliem a proteção securitária, especialmente no agronegócio.
Contexto econômico e riscos ao agronegócio
O Brasil enfrenta prejuízos econômicos significativos causados por eventos climáticos extremos e o fenômeno El Niño em sua versão mais severa. Entre 2019 e 2024, gastos em resposta e reconstrução após desastres naturais foram quase dez vezes maiores do que investimentos em prevenção, conforme levantamento da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg).
A diretora de sustentabilidade da CNSeg, Claudia Prates, ressalta a importância do setor segurador como pilar estratégico para a transição climática e para projetos que mitigam riscos. Um ponto que recebe atenção especial é o agronegócio, que sofreu queda expressiva na área plantada com seguro rural, passando de 13,7 milhões de hectares em 2021 para 3,2 milhões em 2025. Essa redução está relacionada, entre outros motivos, à instabilidade nos subsídios públicos para seguros agrícolas, que tiveram cortes sucessivos antes de terem sua obrigatoriedade assegurada por legislação aprovada recentemente.
Segundo Prates, a garantia de uma política constante e crescente de subvenção ao seguro rural fortalece a proteção do setor agropecuário, reduz a inadimplência e contribui para a diminuição das taxas de juros nos financiamentos bancários, gerando um ciclo virtuoso.
Iniciativas da Febraban para gestão de risco climático
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) participa da COP31 com uma agenda de ações voltadas a integrar a gestão de risco climático nas operações de crédito. Em outubro, a entidade revisou a taxonomia de Finanças Sustentáveis para alinhar os critérios de sustentabilidade das operações financeiras ao modelo adotado pelo governo brasileiro em 2025, a Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB).
Além disso, a Febraban desenvolveu uma ferramenta padronizada para calcular as emissões de gases de efeito estufa financiadas pelas carteiras dos bancos associados. Amaury Oliva, diretor executivo de Sustentabilidade da Febraban, afirmou a necessidade de evolução dos compromissos para uma agenda concreta de ações, investimentos e implementação de práticas sustentáveis.
O evento acontece entre 9 e 20 de novembro e reúne setores econômicos em busca de soluções para enfrentar os desafios climáticos globais de forma coordenada e eficaz.
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