Ministério Público do Paraguai estima prejuízo de R$ 4 bilhões no Caso Ueno
Prejuízo causado pelo Ueno Bank atinge US$ 809,5 milhões, segundo investigação do Ministério Público do Paraguai.
O Ministério Público do Paraguai estimou um prejuízo preliminar de US$ 809,5 milhões (cerca de R$ 4 bilhões, na cotação de 08/11) relacionado às operações investigadas do Ueno Bank. Essa avaliação foi feita em nova etapa da imputação formal contra o ex-presidente do Paraguai Santiago Peña e o ex-presidente do Banco Central Carlos Carvallo, conforme divulgado neste domingo pelo jornal ABC Color.
O valor total abrange US$ 576,1 milhões (cerca de R$ 2,9 bilhões, na cotação de 08/11) em depósitos na moeda local, equivalentes a 3,608 trilhões de guaranis, e US$ 233,4 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhão, na cotação de 08/11) em dólares pertencentes a entidades públicas, como o Instituto de Previdência Social (IPS), a Itaipu Binacional, Yacyretá e a Administração Nacional de Eletricidade (ANDE). Essas quantias estavam depositadas no Ueno Bank enquanto a instituição concedia empréstimos a empresas ligadas ao mesmo grupo econômico.
Detalhes de empréstimos pessoais e movimentações suspeitas
Entre as novas evidências apresentadas consta a concessão de dois financiamentos simultâneos pelo Ueno Bank ao ex-presidente Santiago Peña, em 13 de maio de 2024, que somaram 3,548 bilhões de guaranis (aproximadamente US$ 510,5 mil (cerca de R$ 2,5 milhões, na cotação de 08/11)) para a construção de uma residência particular na cidade de San Bernardino. As parcelas mensais desses empréstimos chegavam a 239 milhões de guaranis, cerca de seis vezes o salário declarado para o cargo presidencial, que é de 37,9 milhões de guaranis.
A investigação também apura o fechamento da custódia de dois envelopes contendo US$ 100 mil (cerca de R$ 497 mil, na cotação de 08/11) cada na residência oficial Mburuvicha Róga no período entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, entregues posteriormente ao ex-presidente em junho do ano seguinte. Além disso, registra reuniões reservadas entre Santiago Peña e Miguel Vázquez, controlador do Grupo Vázquez, grupo econômico vinculado às operações investigadas.
Medidas judiciais e situação dos investigados
Em razão da magnitude dos valores envolvidos, a Justiça paraguaia decretou em 7 de novembro a proibição geral de alienação de bens e o embargo preventivo das contas bancárias de Santiago Peña e Carlos Carvallo, com o objetivo de impedir a transferência indevida do patrimônio.
Carlos Carvallo está em prisão preventiva, acusado de lesão de confiança, administração em proveito próprio e produção de documentos públicos falsos. Ele teria conhecimento, desde junho de 2026, de irregularidades patrimoniais no Ueno Bank e ocultado alertas técnicos importantes em relatórios enviados ao Senado em outubro, segundo a agência Reuters.
O ex-presidente Santiago Peña também está preso preventivamente, sob custódia em uma unidade militar na capital Assunção. Ele tem autorização judicial para receber visitas e possuir telefone celular. Até o momento, ambos permanecem investigados sem condenação definitiva.
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