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Especialista alerta que estratégia de Lula contra Flávio Bolsonaro pode favorecer senador

Cientista político Jorge Chaloub destaca riscos na tática de Lula de focar ataques em corrupção contra Flávio Bolsonaro.

20/10/2026 às 07h01  ·  Atualizado em 20/10/2026 às 07h02

Em análise divulgada nesta segunda-feira (19), o cientista político Jorge Chaloub, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), avaliou que a atual abordagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de concentrar críticas e ataques em denúncias de corrupção contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial pode ter efeito contrário ao esperado, beneficiando mais o rival do que o próprio chefe do Executivo.

Durante entrevista ao programa Mapa de Risco, do InfoMoney, Chaloub explicou que a corrupção é tradicionalmente um tema que favorece candidatos da oposição, principalmente quando reforça a percepção de que se trata de uma questão endêmica na política brasileira. “Corrupção é mais tema de oposição do que de governo. Quando você vem de uma ideia de corrupção generalizada, isso beneficia mais a oposição do que o governo, porque isso traz uma certa sensação de mudança”, disse o professor.

Diferença de estratégia e percepção no debate

Os dois candidatos adotaram posturas distintas no primeiro debate do segundo turno. Enquanto Flávio Bolsonaro manteve uma postura de enfrentamento, típica da direita contemporânea, Lula buscou expandir o desgaste do adversário para atrair o eleitorado que não o apoiou no primeiro turno.

Leia também: Pesquisa AtlasIntel aponta Flávio Bolsonaro à frente de Lula por 2,2 pontos no segundo turno

Contudo, Chaloub ressalta que, para que as acusações contra Flávio surtam o efeito desejado, é necessário que elas sejam claramente associadas ao senador. Por outro lado, o senador pode tirar proveito ao reiterar que a corrupção é um problema geral na política e responsabilizar diretamente o governo Lula, algo que seria mais fácil para ele estabelecer como narrativa.

“Para o Flávio, basta falar que a corrupção é generalizada e que a culpa é do Lula, porque ele está no governo. Então, é mais fácil a tarefa do Flávio”, acrescentou o professor da UFRJ.

Histórico eleitoral e desafio da campanha petista

O histórico do Partido dos Trabalhadores em escândalos e investigações também dificulta a transformação do tema da corrupção em uma vantagem para Lula. Essa associação arraigada entre corrupção e o campo político representado pelo presidente permite que parte do eleitorado permaneça reticente, mesmo com ataques direcionados a adversários.

Chaloub alerta que abandonar as críticas direcionadas a Flávio não seria uma solução prática, uma vez que Lula já é amplamente conhecido e a apresentação apenas de suas realizações governamentais pode ter alcance limitado para conquistar votos novos.

Dessa forma, o desafio para a campanha do presidente é desgastar o senador sem restringir o debate exclusivamente à corrupção, evitando ainda a vinculação da corrupção unicamente a Flávio, o que não é uma tarefa simples.

Conclusões do cientista político

O debate revelou essa complexidade: embora a discussão sobre propostas e resultados possa favorecer Lula em certos temas, não é garantido que isso seja suficiente para converter eleitores indecisos ou que considerem mudar de voto na reta final da campanha.

O especialista reforça que, neste momento decisivo da eleição, o equilíbrio entre atacar e apresentar propostas será fundamental para o desempenho dos candidatos.

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