Setor de serviços registra leve queda em agosto de 2026 e fica abaixo das expectativas
Volume do setor de serviços caiu 0,1% em agosto frente a julho, segundo IBGE, contrariando projeções de alta feitas pelo mercado.
O volume do setor de serviços no Brasil apresentou queda de 0,1% em agosto de 2026 na comparação com o mês anterior, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (14). Este desempenho inesperado ficou abaixo das projeções do mercado, que indicavam alta de 0,4% na base mensal.
Na comparação anual, o setor teve crescimento moderado de 0,6%, que representa o vigésimo nono resultado positivo consecutivo. No entanto, esse avanço também ficou aquém do esperado pelo mercado, que estimava aumento de 1,1% para o mês.
Desempenho por atividades
O recuo mensal de agosto foi influenciado por três das cinco atividades pesquisadas: outros serviços registraram queda de 1,0%; transportes recuaram 0,2%; e os serviços profissionais, administrativos e complementares também tiveram retração de 0,2%. Estes segmentos eliminaram, total ou parcialmente, os ganhos observados em julho.
Por outro lado, os serviços prestados às famílias continuaram em expansão, crescendo 2,1% no mês e acumulando alta de 2,9% nos últimos dois meses. A atividade de informação e comunicação permaneceu estável, sem variação na passagem mensal.
Média móvel trimestral e análise setorial
Analisando o período de três meses até agosto, a média móvel do volume de serviços ficou estável (0,0%) em relação ao trimestre anterior. Neste indicador, houve queda em atividades como outros serviços (-0,6%), serviços profissionais e administrativos (-0,3%) e informação e comunicação (-0,2%). Em contrapartida, se destacaram com avanços os serviços prestados às famílias (0,5%) e transportes (0,1%).
Crescimento anual e setores em destaque
No confronto com agosto do ano anterior, três das cinco atividades apresentaram crescimento, correspondendo a 44,6% dos 166 tipos de serviços avaliados. O setor de informação e comunicação teve o impacto positivo mais significativo, com expansão de 4,3%, impulsionada por segmentos como telecomunicações, provedores de serviços de aplicação e hospedagem na internet, atividade cinematográfica, desenvolvimento de software sob encomenda, gravação e edição musical, além de consultoria em tecnologia da informação.
Outros setores que contribuíram para o crescimento incluem os serviços profissionais, administrativos e complementares (1,7%) e os serviços prestados às famílias (4,4%). Os ganhos nesses setores foram explicados pelo aumento de receitas em locação de automóveis, serviços de engenharia, agenciamento de publicidade, segurança privada, intermediação de negócios via aplicativos e plataformas de e-commerce, restaurantes e serviços de alimentação.
Em contraponto, os transportes, serviços auxiliares e correio recuaram 2,8%, enquanto outros serviços tiveram queda de 2,5%. Estes resultados negativos foram afetados principalmente pela menor receita no transporte aéreo e rodoviário de cargas, logística de transporte, serviços ferroviários e correios, além de serviços financeiros auxiliares.
Acumulado do ano
Nos primeiros oito meses de 2026, o setor de serviços cresceu 1,7%, com crescimento positivo em três das cinco atividades principais e em 49,4% dos 166 segmentos analisados. O setor de informação e comunicação foi novamente o maior contribuinte, com alta de 6,2%, sustentada pelo desempenho dos segmentos de telecomunicações, tecnologia da informação, provedores de conteúdo e serviços de TV aberta.
As demais atividades que avançaram foram os serviços profissionais, administrativos e complementares e os serviços prestados às famílias, ambos com crescimento de 2,4%. Já os transportes e outros serviços experimentaram leves retrações, respectivamente de 1,5% e 0,3%.
Esses dados refletem um cenário de crescimento modesto e volatilidade em diferentes setores do segmento de serviços no Brasil, com desafios especialmente nos transportes e outros serviços auxiliares, enquanto os setores ligados à tecnologia e serviços domésticos continuam em expansão.