Hackers roubam R$ 31,3 bilhões da Binance no maior ataque
Roubo recorde de US$ 6,3 bilhões na Binance expõe falha em sistemas e levanta dúvidas sobre segurança da maior corretora de criptomoedas do mundo.
Atualização (01/11/2026 às 07h50): FBI investiga grupo coreano por ataque à Binance e roubo bilionário
Atualização (31/10/2026 às 12h00): Binance cobre 90% das perdas após ataque hacker
A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, teve US$ 6,3 bilhões (cerca de R$ 31,3 bilhões, na cotação de 30/10) roubados em um ataque hacker na noite de quinta-feira (30), a maior quantia já levada em um crime envolvendo criptomoedas. Até o momento, não há identificação dos responsáveis pelo ataque, que utilizou o laptop de um engenheiro da empresa para autorizar saques ilegítimos.
O ataque não envolveu o roubo das chaves privadas dos usuários, prática comum em ataques anteriores. Em vez disso, os hackers acessaram um dispositivo com credenciais para sistemas internos da Binance, usados para aprovar transações, e enviaram os fundos diretamente pelas plataformas da própria empresa.
Segundo Tom Robinson, cofundador da empresa de análise Elliptic, o laptop comprometido continha credenciais para o acesso aos sistemas operacionais de saque da corretora. Dessa forma, os invasores puderam ordenar as transferências fraudulentas de forma remota.
As criptomoedas foram retiradas de carteiras mantidas pela Binance em diversas blockchains, incluindo Solana, Ethereum, Base (blockchain da Coinbase) e Tron. Cerca de 200 criptomoedas foram movimentadas, com bitcoin e as stablecoins USDC e USDT representando 74% do total roubado.
O sistema financeiro descentralizado das moedas digitais permite que os ativos sejam transferidos para carteiras sob controle dos criminosos. As empresas Circle e Tether, responsáveis pelas stablecoins USDC e USDT, respectivamente, conseguiram congelar US$ 2,8 bilhões (cerca de R$ 13,9 bilhões, na cotação de 30/10) desses valores, mas os hackers já haviam convertido cerca de US$ 3,3 bilhões (cerca de R$ 16,4 bilhões, na cotação de 30/10) em criptomoedas que não podem ser bloqueadas, como ethereum.
O ataque ocorreu entre 17h05 e 17h35 (horário de Brasília) e teve uma segunda fase por volta das 20h. A corretora afirmou que identificou outros pontos de invasão além do laptop, mas a investigação segue em andamento.
Além da identificação do ponto inicial do ataque, as falhas nos controles da Binance também foram apontadas. Alistair Heggie, executivo da seguradora DA Insured, ressaltou que os mecanismos que deveriam limitar saques e aprovação de transações não funcionaram adequadamente.
Segundo a empresa de inteligência TRM Labs, o ataque tem associação provável com o grupo TraderTraitor, vinculado à Coreia do Norte, país com histórico de ataques cibernéticos utilizando criptomoedas para obtenção de recursos.
A Binance comunicou que vai ressarcir os usuários afetados com recursos do seu fundo de reserva emergencial e capital próprio. O Fundo de Ativos Seguros para Usuários (SAFU), criado em 2018, tem aproximadamente US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5 bilhões, na cotação de 30/10) em bitcoin, mas a corretora informou que reservou mais de US$ 6,3 bilhões para cobrir as perdas, adquirindo tokens no mercado para compensar a diferença.
O co-CEO Richard Teng afirmou que a receita anual da empresa é suficiente para arcar com o prejuízo, mas a falta de divulgação das demonstrações financeiras dificulta a verificação independente dessas informações.
Enquanto isso, o impacto do ataque já se reflete em empresas do setor. A plataforma de empréstimos Jupiter Earn enfrentava crise de liquidez afetando saques, situação ligada à retirada de recursos das "carteiras quentes" da Binance, usadas para transações rápidas.
A corretora é regulada nos Emirados Árabes Unidos, e as autoridades financeiras de Abu Dhabi acompanham de perto o incidente para proteger clientes e a estabilidade do mercado.
Seguro e recuperação de ativos
O mercado global de seguros para ativos digitais foi avaliado em US$ 9,37 bilhões (cerca de R$ 46,5 bilhões, na cotação de 30/10) em 2025 e projeta crescimento expressivo, refletindo a busca por proteção contra riscos como roubo e ataques cibernéticos.
Essas apólices cobrem perdas decorrentes de violações de segurança, mas frequentemente contêm exclusões, como atos fraudulentos do segurado ou má gestão das chaves privadas, que podem limitar o pagamento de indenizações.
Apólices tradicionais contra crimes e riscos cibernéticos geralmente não cobrem perda direta de criptomoedas, a menos que haja cobertura específica para ativos digitais.
O processo de solicitação de indenização envolve análise detalhada do evento, verificando como ocorreu a invasão, a responsabilidade da corretora e se a apólice cobre o incidente.
Em casos de congelamento de ativos por empresas emissoras de stablecoins, há possibilidade de reemissão das criptomoedas às vítimas, mas isso depende de cooperação com autoridades e pode demorar semanas ou meses.
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