CEO do Itaú alerta para riscos de corte abrupto na Selic e seus impactos
Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú, afirma que redução da taxa Selic sem condições estruturais pode elevar juros a longo prazo e ressalta política cautelosa de crédito.
Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco, alertou contra a redução da taxa básica de juros, a Selic, feita de forma abrupta sem apoio da curva de juros futuros, durante coletiva sobre o balanço do banco no terceiro trimestre de 2026. Ele explicou que a tentativa de baixar os juros de curto prazo "na força bruta" pode elevar os custos de financiamento no longo prazo, prejudicando empresas e pessoas físicas.
Maluhy comentou ainda que o banco acompanha com atenção as discussões sobre políticas fiscal e monetária no governo Lula, que inclui análises do economista André Lara Resende, sem afirmar que há propostas definidas. Para ele, o mercado exige propostas concretas e aguarda a composição final da equipe econômica, especialmente a definição do novo ministro da Fazenda.
O executivo lembrou que o Brasil já alcançou grau de investimento em mandatos anteriores de Lula devido a políticas fiscais e monetárias claras e transparentes. Segundo Maluhy, recuperar esse selo é um objetivo importante, pois influencia tanto o volume quanto o custo do financiamento para o país.
Ele também destacou fatores que podem pressionar a inflação para cima, como desvalorização cambial, alta do petróleo e mudanças na tributação. Com isso, projetou uma inflação que pode chegar a 6% em 2027, levando o Banco Central a manter juros em patamar elevado por um período prolongado.
Segundo o CEO, juros menores dão espaço para o crescimento do crédito, especialmente com queda na inadimplência, mas alertou que as condições econômicas para 2027 são mais desafiadoras, prevendo menor crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e aumento do desemprego.
O Itaú mantém foco na concessão de crédito a clientes com maior capacidade de pagamento e com garantias, priorizando portfólio menos arriscado, e trabalha no corte de custos para sustentar a rentabilidade do banco. Maluhy ressaltou que a instituição tem crescido acima de dois dígitos em carteiras voltadas para clientes de média e alta renda.
O banco divulgou lucro líquido recorrente de R$ 12,617 bilhões no terceiro trimestre, um aumento de 6,2% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 1,7% em comparação ao trimestre anterior. O retorno sobre patrimônio líquido médio anualizado (ROE) caiu ligeiramente no trimestre, mas subiu 0,6 ponto percentual na comparação anual.
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