Vale planeja dobrar produção de cobre até 2035, enfrentando desafios de licenciamento e desenvolvimento
Além de fortalecer a produção de minério de ferro, a Vale foca na expansão da mineração de cobre, visando atingir 700 mil toneladas anuais até 2035.
A Vale (VALE3) vem ampliando sua atuação na mineração de cobre por meio da subsidiária Vale Base Metals (VBM), com a expectativa de alcançar uma produção anual de 700 mil toneladas até 2035. Essa meta foi destacada pelo CEO da Vale, Gustavo Pimenta, e pelo CEO da VBM, Shaun Usmar, em eventos internacionais recentes, incluindo o FT Metals & Mining Summit, em Londres, e o VBM Day, em Toronto.
Analistas da XP mostram confiança na capacidade da mineradora em atingir esse patamar, sustentada pelas reservas e recursos atualmente conhecidos. Mesmo diante de desafios relacionados às licenças ambientais, conversão de reservas e ao desenvolvimento de múltiplos projetos no Brasil e no Canadá, o foco principal encontra-se na execução e entrega dos empreendimentos, mais do que na disponibilidade dos recursos minerais.
O portfólio da Vale conta com minas em operação, expansões brownfield — que envolvem estrutura já existente, mas ainda não operante — e projetos em desenvolvimento conjunto, que compõem a estratégia para sustentar e ampliar a produção.
Leia também: Vale Base Metals projeta dobrar produção anual de cobre e foca recuperação no mercado de níquel
O principal obstáculo para atingir a meta a longo prazo são as questões relacionadas aos processos de licenciamento, estudos ambientais, viabilidade, concessões minerárias e a construção das instalações minerais.
Um outro elemento importante no valor agregado da Vale é o ouro, que surge como subproduto na extração de cobre, especialmente nas operações do Alemão e de Salobo, ambas localizadas no Pará. O projeto Alemão é um empreendimento subterrâneo de cobre e ouro conhecido por seu alto teor na região de Carajás, enquanto Salobo é a maior mina de cobre do Brasil, com uma reserva estimada em 1,15 bilhão de toneladas de minério.
Segundo projeções da XP, o projeto Alemão pode introduzir cerca de 140 mil onças de ouro por ano até 2035, o que pode representar entre 5% e 10% das receitas da VBM, além de contribuir para a redução dos custos líquidos da produção.
No segmento tradicional do minério de ferro, a Vale mantém uma perspectiva otimista, mesmo com a entrada no mercado do projeto Simandou, na Guiné, que tem capacidade estimada em até 120 milhões de toneladas anuais até 2030. A empresa entende que a oferta adicional será compensada pela depleção natural das reservas globais e que a demanda continuará sustentada por mercados emergentes como Índia e Vietnã.
Apesar de preços mais fracos para o minério de ferro e custos elevados — especialmente em frete —, a Aceitação dos produtos da Vale deve persistir, considerando a qualidade e o teor dos minérios extraídos no complexo de Carajás.
O mercado financeiro percebe a Vale majoritariamente como uma mineradora de minério de ferro, o que influencia a valorização de suas ações. Entretanto, o potencial decorrente da diversificação do portfólio, com destaque crescente para o cobre e o ouro, pode impulsionar a transformação do mix operacional da empresa e resultar em maior valorização dos papéis.
Enquanto isso, os trabalhos de exploração e perfuração continuam para ampliar a vida útil das minas existentes e garantir a sustentabilidade da produção planejada.
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