Seguradoras devem negar cobertura a supermercados franceses por ataques hacker que causaram perdas milionárias
Ataque digital nas unidades de refrigeração de cerca de 350 supermercados franceses causou prejuízos e não será coberto por apólices, afirmam seguradoras.
Supermercados na França estão passando por prejuízos significativos após um ataque digital que compromet eu o funcionamento dos sistemas de refrigeração em aproximadamente 350 estabelecimentos, elevando a temperatura das geladeiras e freezers a até 50°C e obrigando o descarte de alimentos. As perdas financeiras decorrentes do incidente devem somar dezenas de milhões de euros, segundo estimativa de Thierry Cotillard, presidente da Les Mousquetaires, empresa controladora da rede Intermarché.
Apesar dos prejuízos, seguradoras consultadas pela Reuters indicaram que as apólices contratadas pelas redes de supermercados normalmente excluem a cobertura para danos físicos resultantes de ataques digitais. Além disso, a possibilidade de os equipamentos estarem com softwares desatualizados — como revelou a fabricante dinamarquesa Danfoss, que forneceu o software para os aparelhos invadidos — pode comprometer ainda mais as solicitações de indenização.
Se houver evidências de que agentes estatais tenham sido responsáveis pelo ataque, complicações adicionais surgem, já que apólices para danos eletrônicos geralmente não contemplam atos de guerra, disse um agente do setor de seguros, sob condição de anonimato. A Intermarché confirmou à AFP que sua apólice não abrange esse tipo de incidente, e outras redes como Carrefour e E.Leclerc não se pronunciaram sobre seus contratos de seguro.
Especialistas em seguros ressaltam que empresas de setores que lidam com mercadorias perecíveis, incluindo varejo e farmacêutico, vêm buscando coberturas específicas para danos físicos associados a ataques digitais, embora tais apólices ainda não sejam amplamente adotadas na atuação dos supermercados. David Molony, responsável por riscos digitais da corretora Aon, destacou que essas coberturas são mais comuns em segmentos como energia, transporte marítimo e defesa.
As companhias de seguro estão previstas a rever suas políticas e preços devido ao aumento de ataques digitais que têm afetado o varejo europeu. Sydonie Williams, líder em riscos eletrônicos da Beazley, acredita que esses eventos poderão resultar em elevação dos prêmios para segurados do setor.
O incidente na França reforça os riscos associados à expansão da Internet das Coisas (IoT), que conecta equipamentos diversos, mas também abre brechas para ameaças cibernéticas intensificadas pelo uso de tecnologias avançadas, como a inteligência artificial.
Contexto do ataque e repercussões
Na noite do último domingo (11), hackers desconhecidos tomaram o controle das unidades de refrigeração conectadas à internet, impactando cerca de 350 supermercados. O aumento súbito da temperatura comprometeu os alimentos, levando a descartes que elevam os custos para as redes. A Les Mousquetaires informou que iniciará ações judiciais para responsabilizar os causadores dos prejuízos.
Estimativas da corretora Howden indicam que, entre 2020 e 2025, ataques digitais na França, Alemanha, Itália e Espanha provocaram perdas superiores a 300 bilhões de euros.