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Risco-país da Argentina atinge níveis máximos em um ano e reacende dúvidas sobre ativos locais

Investidores demonstram maior aversão à Argentina, elevando risco-país a patamar que não se via desde outubro de 2025, diante de incertezas políticas e econômicas.

20/10/2026 às 18h36

O risco-país da Argentina atingiu seu nível mais elevado em cerca de um ano, reacendendo incertezas entre investidores quanto à sustentabilidade da recuperação dos ativos locais. Na terça-feira, o índice EMBI+ da Argentina, calculado pelo JPMorgan, chegou a 710 pontos-base durante o pregão, encerrando próximo a 672 pontos, valores próximos aos observados pela última vez em outubro de 2025.

Esse aumento da aversão ocorre em um cenário marcado por preocupações com a liquidez do mercado, desafios no cenário externo e dúvidas sobre o quadro político que antecede as eleições presidenciais de 2027.

Apesar desse ambiente, um relatório divulgado pelo Itaú BBA na mesma data destaca que a ampliação dos spreads soberanos não se alinha a uma piora equivalente nos fundamentos macroeconômicos. O banco observa que o risco-país argentino está em 3,4 vezes a média da América Latina, configurando o maior prêmio relativo nos últimos 12 meses.

Leia também: Risco da dívida argentina alcança nível mais alto desde outubro de 2025

Os indicadores fiscais e externos principais permanecem razoavelmente sólidos. O governo liderado por Javier Milei registrou superávit primário de 0,3% do PIB nos nove primeiros meses do ano, enquanto o superávit comercial foi de US$ 26,5 bilhões no período de 12 meses até setembro. Também houve sinais de estabilização na inadimplência entre as famílias após um período de agravamento.

Por outro lado, algumas estatísticas recentes apontam para cautela. Em setembro, os preços no atacado aceleraram influenciados pela alta no preço do petróleo e gás natural, e indicadores de atividade econômica evidenciaram enfraquecimento na construção civil e na indústria. Adicionalmente, o índice de confiança no governo atingiu um dos níveis mais baixos dos últimos três anos.

Principais preocupações dos investidores

O Itaú BBA destaca que as dúvidas mais relevantes referem-se à continuidade da agenda econômica após 2027, contemplando temas como disciplina fiscal, abertura comercial e desregulamentação. Pesam também as incertezas sobre a capacidade da Argentina de restabelecer acesso sustentável aos mercados internacionais, reconstruir reservas cambiais e navegar em um ambiente global potencialmente desfavorável.

Os estrategistas do banco avaliam que os preços atuais dos ativos argentinos parecem incorporar um cenário mais pessimista do que indicam os dados econômicos, citando que as ações estão precificadas como se o risco-país fosse entre 800 e 1.000 pontos-base, acima dos níveis observados.

Caso os cenários negativos não se concretizem, haveria espaço para a compressão gradual dos spreads soberanos e valorização dos ativos. Em análise de médio a longo prazo, se o risco-país convergir para uma faixa entre 400 e 500 pontos-base, mais condizente com uma economia estabilizada, o potencial de valorização para as ações argentinas poderia variar entre 40% e 110%, dependendo do setor e da empresa, com bancos e companhias financeiras destacando-se.

Projeções e volatilidade

Apesar das perspectivas positivas em potencial, o Itaú BBA prevê que a volatilidade do mercado argentino permanecerá elevada nos próximos trimestres, conforme observado historicamente em economias com classificação de crédito na faixa “B-“. Contudo, os principais desequilíbrios fiscais e externos que costumam preceder crises financeiras não estão presentes atualmente, o que sugere que o pessimismo atual pode ser mais intenso do que justificado pelos fundamentos.

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