Paris vive contrastes entre protestos violentos e rotina nos cafés durante manifestações contra o custo de vida
No fim de semana, Paris registrou protestos com violência e saques, enquanto cafés permaneciam abertos com frequentadores mantendo a rotina.
No último fim de semana, Paris foi palco de uma série de protestos contra o aumento do custo de vida que resultaram em cenas intensas de violência, saques e incêndios. Enquanto centenas de milhares de pessoas marchavam pelas ruas, muitas delas envolveram-se em atos de vandalismo e confrontos com a polícia, levantando um cenário caótico para a capital francesa.
Conforme apurado pelo Le Monde, em meio a esse ambiente tenso, a cidade manteve uma rotina aparentemente normal em alguns locais, especialmente nos tradicionais cafés parisienses. Túristas e moradores continuaram frequentando esses estabelecimentos, consumindo bebidas como cerveja e spritz, contrastando fortemente com as imagens das ruas tomadas por barricadas em chamas e veículos da polícia.
As cenas de destruição envolveram ataques a lojas e centros comerciais. Na icônica loja de departamentos BHV, próxima à Prefeitura de Paris (Hôtel de Ville), um grupo de cerca de dez indivíduos mascarados invadiu o local, quebrando vitrines e subtraindo joias e relógios à vista de turistas que observaram assustados. Estima-se que mais de 3 mil estabelecimentos em toda a França sofreram danos causados por vandalismo, com prejuízos calculados em centenas de milhões de euros.
O governo francês está implementando medidas emergenciais, como linhas de financiamento e pagamentos de seguros, para auxiliar os comerciantes afetados. Paralelamente, as autoridades realizaram prisões preventivas, e mais de 200 detidos devem responder a processos judiciais; o número estimado de envolvidos em saques é de aproximadamente 30 mil pessoas.
Além disso, houve a circulação de itens possivelmente roubados durante os protestos em plataformas de revenda online, como o site Vinted. Produtos como cosméticos, roupas e itens de colecionador foram anunciados publicamente, alguns com descrições explícitas que indicam a origem ilícita, como “maquiagem 17 de outubro” e “suéter roubado durante a manifestação”.
O presidente Emmanuel Macron condenou as imagens de violência vistas em todo o país e afirmou que prefeitos terão autoridade para restringir certos eventos quando necessário, visando controlar a situação.
Em meio a esse cenário dual, Paris segue refletindo a tensão entre a continuidade de sua vida cotidiana e as profundas manifestações sociais que a envolvem.