Nostalgia e lucro movimentam mercado de cartas Pokémon, que alcança valores de até R$ 86 milhões
Franquia japonesa atrai colecionadores adultos e investidores, impulso do mercado traz valorização expressiva das cartas raras.
Desde a adolescência, colecionadores de cartas do Pokémon passaram a incorporar em seus acervos investimentos que, décadas depois, podem alcançar valores milionários. Diogo Pires, 44 anos, um colecionador que guardou suas cartas por mais de 20 anos, vendeu parte da coleção por US$ 20 mil (aproximadamente R$ 73 mil na época), utilizando uma parte do lucro para a compra de um imóvel. Ele é também cofundador da Liga Pokémon, marketplace que comercializa cartas da franquia.
O mercado de cartas Pokémon tem crescido significativamente, com uma base de consumidores que conta não apenas com crianças e adolescentes, mas principalmente com adultos que cresceram acompanhando a franquia japonesa. A valorização das peças é um fator importante para investidores e colecionadores, apesar de não ser garantida para todo item do acervo.
Dados da The Pokémon Company indicam que, até março de 2025, foram produzidas mais de 75 bilhões de cartas, número que subiu para 85 bilhões em março de 2026, com média anual de lançamento superior a 10 bilhões após 2019, ante 1,5 a 2 bilhões antes disso. No Brasil, a distribuição oficial das cartas fica a cargo da fabricante Copag.
O interesse pelo universo Pokémon, incluindo cartas, games e animações, aumentou expressivamente. No Brasil, o termo “Pokémon” apresentou, entre setembro de 2021 e setembro de 2026, crescimento de 60% nas buscas do Google em relação aos cinco anos anteriores, atingindo em 2026 o maior pico desde 2016, ano do lançamento do fenômeno “Pokémon Go”.
Além do interesse dos consumidores tradicionais, o mercado de cartas colecionáveis não esportivas nos Estados Unidos apresentou aumento de 350% em faturamento entre 2020 e 2025, conforme levantamento da Circana.
Entre os fatores que impulsionam a valorização das cartas estão raridade, estado de conservação, popularidade do Pokémon retratado e inserção em baralhos usados em torneios. Henrique Heylmann, fundador da Manafix – empresa especializada em certificação e avaliação de cartas – destaca esses critérios que influenciam diretamente os preços no mercado.
Um exemplo extremo da valorização pode ser observado na venda em leilão, em fevereiro de 2026, de uma carta do Pikachu— personificação mais conhecida da franquia — pelo valor recorde de US$ 16,5 milhões (R$ 86 milhões na cotação vigente). Essa carta, chamada “Pikachu Illustrator”, foi produzida em 1998 e distribuída em apenas 39 cópias aos vencedores de um concurso de ilustração. O exemplar vendido era o único conhecido com nota máxima pela PSA, empresa de avaliação e certificação de itens colecionáveis.
O colecionador Éric Fenalte, que tem acompanhado o mercado desde a chegada da franquia ao Brasil nos anos 1990, investe em manter caixas lacradas das primeiras coleções, observando a valorização contínua desses produtos. A cada lançamento, novas expansões com centenas de cartas surgem em intervalos regulares de dois a três meses, sendo vendidas em “boosters” que protegem o elemento surpresa para os compradores.
Contudo, especialistas lembram que o investimento em cartas com expectativa de lucro depende do mercado futuro e da liquidez do produto, que é a facilidade de transformar o item em dinheiro. Nem todas as cartas anunciadas por valores elevados encontram compradores dispostos a pagar o preço pedido.