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Lula e Flávio Bolsonaro se enfrentam em debate após manifestações pró e contra na última semana de campanha

Debate entre Lula e Flávio Bolsonaro acontece após manifestações dos apoiadores em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro.

18/10/2026 às 19h46

Na reta final da campanha presidencial brasileira de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro participaram neste domingo (18) do primeiro debate televisionado entre os dois candidatos, marcado por forte polarização e manifestações de apoiadores nas ruas.

As manifestações ocorreram simultaneamente em diferentes cidades do país. Em São Paulo, multidões vestindo as cores amarelo, verde e azul, símbolo do Brasil e associadas à campanha de Flávio Bolsonaro, lotaram a Avenida Paulista. Já na capital federal, Brasília, grupos vestidos de vermelho, cor do Partido dos Trabalhadores (PT), se concentraram em praça próxima aos edifícios do governo. No Rio de Janeiro, estudantes que apoiam Lula também fizeram protestos contra Bolsonaro.

O debate, transmitido pela emissora Band, aconteceu uma semana antes do segundo turno, previsto para 25 de outubro. A disputa entre os dois candidatos permanece acirrada, com Flávio Bolsonaro mantendo uma pequena vantagem nas pesquisas após o primeiro turno, realizado em 4 de outubro.

Leia também: Grande Recife registra atos em apoio à reeleição de Lula com desfiles e manifestações

Ambos os candidatos buscam conquistar os cerca de 33 milhões de eleitores que não participaram do primeiro turno, equivalente a cerca de um em cada cinco votantes aptos.

O evento foi a primeira oportunidade em que Lula e Flávio Bolsonaro se enfrentaram diretamente durante essa fase da campanha, após o cancelamento do último debate do primeiro turno, em que ambos haviam desistido de participar.

Segundo reportagem, o debate foi esperado com grande tensão, incluindo ataques pessoais previstos dada a polarização que domina a política brasileira há quase uma década. Os apoiadores de cada lado expressam posições diversas em relação aos passados dos políticos: enquanto parte dos bolsonaristas defende que Lula deveria estar preso em decorrência dos escândalos de corrupção envolvendo o PT, os apoiadores de Lula sustentam a legitimidade da condenação e prisão de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

Em manifestações, um dos episódios evidenciou o forte clima político: em São Paulo, os bolsonaristas exibiram um boneco inflável do ex-presidente Lula vestido com roupa de presidiário. Em Brasília, manifestantes entoaram gritos contra Bolsonaro, utilizando uma imagem que o retratava com as mãos ensanguentadas.

O histórico judicial dos dois ex-presidentes também foi lembrado na campanha. Lula cumpriu 580 dias de prisão entre 2018 e 2019 através de uma condenação que posteriormente foi anulada por irregularidades no processo judicial. Por sua vez, Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão por conspirar para um golpe de Estado após as eleições de 2022. Atualmente, ele cumpre pena em prisão domiciliar por motivos de saúde.

Flávio Bolsonaro declarou que o julgamento do pai foi uma “farsa” e prometeu buscar anistia para ele em caso de vitória na eleição.

No discurso para a multidão em São Paulo, Flávio enfatizou a necessidade de mudança: “Faltam sete dias para livrarmos o Brasil do PT. E vocês verão Jair Messias Bolsonaro colocando a faixa de presidente no filho dele”.

Em resposta, Lula utilizou suas redes sociais para alertar os eleitores sobre votar em seu oponente, afirmando que o eleitor levaria como “brinde” o pai e os irmãos deste.

Outro ponto de tensão recente surgiu em relação a supostas restrições e favorecimentos na plataforma Meta — dona do Facebook, Instagram e WhatsApp — para as contas oficiais dos candidatos. A coalizão de Lula afirmou que seu perfil no Instagram foi limitado, e reportagens locais indicaram que funcionários da empresa haviam recomendado conteúdos de Flávio Bolsonaro.

A Meta negou qualquer viés partidário, atribuindo as queixas a problemas técnicos globais. Organizações da sociedade civil planejam protestos contra a Meta em São Paulo, acusando a empresa de interferência no processo eleitoral.

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