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JPMorgan aponta Brasil como teste decisivo para mercados após ciclo eleitoral na América Latina

Relatório do JPMorgan analisa impactos do ciclo eleitoral na América Latina e destaca o Brasil como cenário-chave para futuro político e econômico.

21/10/2026 às 16h10

Faltando quatro dias para o segundo turno das eleições presidenciais no Brasil, o banco JPMorgan divulgou um relatório detalhado sobre os ciclos eleitorais recentes na América Latina e seus efeitos nos mercados financeiros da região. Segundo os economistas Cassiana Fernandez, Mirella Sampaio e Gustavo Ribeiro, o Brasil representa o “último grande teste” dentro de um contexto eleitoral de forte anti-incumbência, ampliação do protagonismo da segurança pública e maior influência da geopolítica.

O documento, intitulado “Testing time in Brazil”, destaca que no primeiro turno, Flávio Bolsonaro liderou com 47,03% dos votos válidos, seguido por Lula com 45,16%, apontando para uma maior representação da direita no Congresso. Tal cenário sugere, na visão do JPMorgan, uma configuração legislativa possivelmente mais favorável para Bolsonaro, caso ele seja eleito no segundo turno.

Embora a direção política do país seja decidida no próximo domingo, o relatório salienta que os mercados estarão atentos às ações subsequentes, como a composição do futuro gabinete, a estratégia legislativa adotada e o relacionamento com o Congresso, fatores essenciais para mensurar os efeitos econômicos na próxima gestão.

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O estudo também aponta tendências que ultrapassam o Brasil, como o fortalecimento do movimento anti-governo, que ganhou impulso com o tema da segurança pública, que deixou de ser uma mera preocupação social para se tornar uma pauta eleitoral central e mobilizadora na região. Candidatos de direita têm sido eficazes ao associar o combate à criminalidade a reformas institucionais mais amplas.

A influência geopolítica, especialmente o alinhamento com os Estados Unidos, tem se tornado fator importante nos mandatos e narrativas de mercado, evidenciada na Argentina e Colômbia. O relatório observa que, embora haja uma tendência de rejeição aos governantes em exercício, a anti-incumbência não é um fenômeno automático, com exemplos de continuidade política no México em 2024 e de consolidação do governo Milei na Argentina.

Outro ponto destacado é o enfraquecimento do “dividendo fiscal” – a capacidade de aumentos nos gastos públicos gerarem apoio político – que se tornou menos eficaz nas últimas eleições latino-americanas, segundo análise do JPMorgan baseada em dados desde 2004.

Além disso, a segurança pública aparece como um dos principais temas eleitorais em vários países da região, sendo decisiva para a escolha dos eleitores, conforme levantamento do Atlas Latam Pulse de fevereiro de 2026.

O banco alerta, porém, que as viradas políticas não têm garantido um fortalecimento institucional consistente, pois polarização, baixa confiança nas instituições e conflitos frequentes dificultam a implementação de reformas necessárias. O relatório destaca que sinais iniciais das eleições podem ser enganosos, citando o exemplo do México, onde a eleição de 2024 suscitou ceticismo inicial, mas resultou em política moderada posteriormente.

Em relação ao futuro, o JPMorgan indica que, após o segundo turno brasileiro, o próximo grande teste será a eleição presidencial na Argentina em 2027, momento em que a questão será se os eleitores continuarão a apoiar o curso reformista vigente.

O relatório conclui que, embora eleitores na América Latina tenham mostrado disposição para mudanças políticas, a transformação das promessas eleitorais em crescimento econômico sustentado depende da implementação eficaz das reformas que governo algum deve postergar.

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