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Indonésia enfrenta seu momento econômico mais crítico desde 1998, alertam economistas

Economistas destacam que a Indonésia vive atualmente uma crise econômica grave, com queda da classe média e turbulências no mercado financeiro.

20/10/2026 às 05h24

JACARTA — A Indonésia está vivenciando seu período econômico mais delicado desde 1998, conforme alerta de economistas acompanhados pela reportagem do Infomoney. Indicadores recentes apontam para uma deterioração significativa da estabilidade econômica do país, reflexo de fatores externos e internos combinados.

Um cenário preocupante é ilustrado pela trajetória de Novri Putra, jovem formado em tecnologia da informação que, apesar da formação universitária, atualmente trabalha como motorista de mototáxi, recebendo cerca de US$ 220 mensais. Caso como esse representa um indicador do encolhimento da classe média e do aumento no desemprego entre os jovens, que alcança cerca de 17%, uma das maiores taxas da Ásia.

A conjuntura adversa se caracteriza pela inflação persistente e pela escassez de combustíveis em várias cidades, decorrentes de impactos da guerra no Irã e das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. As decisões econômicas do governo do presidente Prabowo Subianto também são questionadas, dado o enfraquecimento institucional e o aumento dos gastos públicos com programas como a distribuição de refeições gratuitas para mais de 80 milhões de estudantes, com custo estimado em até US$ 30 bilhões anuais.

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Os mercados financeiros reagiram negativamente no último período: na sexta-feira, a Bolsa de Jacarta sofreu sua maior queda diária desde 1998, com baixa acima de 11%, seguida de outro recuo de 3,6% na segunda-feira seguinte. A prestigiada MSCI manifestou preocupação e pode retirar a Indonésia de seus índices de referência, o que sinaliza maior risco percebido para investidores internacionais.

Além da volatilidade, a falta de transparência nos dados econômicos e a troca de figuras-chave na gestão financeira do país aumentam a incerteza do mercado. A saída da ministra das Finanças Sri Mulyani em 2025 e do presidente do banco central em 2026 são exemplos recentes que contribuem para a insegurança.

No âmbito político, o presidente Prabowo respondeu com irritação às críticas das agências internacionais de classificação de risco, ressaltando a soberania do país para determinar sua própria avaliação econômica. Ainda assim, o ambiente de maior gasto público e nacionalização de ativos impulsiona questionamentos sobre a condução econômica do governo.

Embora o problema ainda pareça isolado da Indonésia, o país tem papel importante em cadeias globais de oferta, sendo o maior produtor mundial de óleo de palma e níquel, entre outros recursos, com possíveis impactos indiretos nas commodities internacionais.

Especialistas destacam que a atual crise econômica pode desencadear instabilidade social, com crescimento do descontentamento e manifestações, como ocorrido em agosto de 2025. O ex-economista-chefe do Bank International Indonesia, Ferry Latuhihin, alerta que a situação pode assemelhar-se à crise de 1998 que levou à queda do então presidente Suharto.

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