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Pesquisas eleitorais, debate e cenário fiscal devem influenciar o Ibovespa até o segundo turno

Estabilidade marcou o Ibovespa na última segunda, com volatilidade mantida pela proximidade das eleições e dúvidas sobre o plano fiscal.

20/10/2026 às 05h23

Na última segunda-feira (19), o Ibovespa registrou estabilidade, com leve recuo de 0,17%, fechando aos 205.079,25 pontos. Esse movimento sinaliza a formação de um novo patamar de preços, previsto por analistas do BB Investimentos para oscilar entre 204 mil e 207 mil pontos ao longo desta semana, que antecede o segundo turno das eleições presidenciais brasileiras.

Segundo relatório da BB Investimentos, a proximidade do pleito mantém elevada a volatilidade do mercado, e os níveis de suporte e resistência devem ser considerados frágeis, ainda mais no curto prazo. Essa estabilidade ocorre após uma queda acumulada de 1,74% da última semana, depois de uma reação positiva que sucedeu o primeiro turno, período em que o candidato Flávio registrou melhor desempenho e os índices atingiram recordes.

Perspectivas cautelosas dos investidores

O economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri, projeta uma semana marcada pela cautela e ausência de grandes movimentos, a não ser que ocorram mudanças expressivas nas intenções de voto. Ele destaca que investidores estrangeiros podem adotar uma postura mais prudente, a menos que haja sinalizações claras que ampliem as chances de vitória de Flávio, além das já precificadas.

Leia também: Mercado financeiro acompanha indicadores econômicos e pesquisas eleitorais em véspera do segundo turno

O mercado financeiro atribui a Flávio uma expectativa de maior controle das contas públicas, mesmo que o candidato e seus assessores econômicos ainda não tenham apresentado propostas concretas para ajustes fiscais. Por outro lado, fragilidades no detalhamento do plano fiscal geram inquietação entre operadores após o debate realizado na TV Band no domingo anterior, que foi marcado por mais provocações e confrontos entre os candidatos do que pela exposição de propostas econômicas.

Debate e pesquisas reforçam cenário de incerteza

No debate, Flávio Bolsonaro (PL) responsabilizou o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo endividamento das famílias e gastos excessivos do governo, enquanto Lula questionou se Flávio seguira o modelo econômico do presidente argentino Javier Milei e ressaltou o aumento da pobreza na Argentina. O confronto direto e a troca de acusações relegaram a segundo plano a apresentação de agendas econômicas.

O economista e consultor financeiro Leonardo Mendes, da Manchester Investimentos, comenta que o mercado procede realizando lucros resultantes do primeiro turno e reaplicando recursos na preparação do segundo, especialmente diante de pesquisas recentes que indicam empate técnico entre Flávio e Lula.

Em pesquisas divulgadas na segunda-feira, o levantamento BTG/Nexus aponta Flávio com 46,5% e Lula com 45,9%, com margem de erro de 2 pontos percentuais, caracterizando empate técnico. A pesquisa Atlas mostra vantagem de Flávio por 2,2 pontos percentuais (49,8% a 47,6%) com margem de erro de 1 ponto percentual, enquanto o PoderData/Aya aponta Flávio em 52% e Lula em 48% das intenções de voto, margem de erro de 1,8 ponto.

Outras pesquisas, como da Real Time Big Data, Datafolha e Ipespe, estão programadas para os próximos dias, podendo movimentar o mercado durante esta semana decisiva.

Análise gráfica e possíveis cenários para o Ibovespa

De acordo com a equipe de análise gráfica do Itaú BBA, o Ibovespa permanece em tendência de alta, com resistência situada em 209.700 pontos — patamar máximo histórico. Caso ultrapasse essa barreira, o índice poderá buscar níveis de 220 mil pontos no curto prazo e 245 mil no médio prazo. Por outro lado, o suporte relevante está estabelecido em 203 mil pontos e, se superado para baixo, pode levar a uma realização de lucros, encontrando novo suporte em 192.100 pontos, cenário que ainda manteria a tendência de alta no curto prazo.

Assim, o desempenho do Ibovespa até o segundo turno das eleições deve ser influenciado pelas próximas pesquisas eleitorais, repercussão dos debates e maior clareza (ou falta dela) sobre o programa fiscal dos candidatos. Esses fatores mantêm o mercado em cautela e alta volatilidade enquanto investidores avaliam os cenários para o futuro político e econômico do país.

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