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GPA amplia prejuízo para R$ 731 milhões no 3º tri, mas melhora eficiência

Grupo Pão de Açúcar reporta piora no resultado financeiro, porém mostra ganhos operacionais e ações para ajustes.

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) registrou prejuízo líquido consolidado de R$ 731 milhões no terceiro trimestre de 2026, resultado que indica piora em relação ao mesmo período do ano anterior. Em 2025, a empresa havia apresentado lucro líquido de R$ 134 milhões no trimestre correspondente. A varejista entrou em recuperação extrajudicial em março deste ano, buscando reestruturar dívidas que somam mais de R$ 4,3 bilhões.

Segundo o CEO Alexandre Santoro, que concedeu entrevista à Folha, apesar do resultado negativo, o período refletiu uma melhora nas operações do grupo. Ele ressaltou que a companhia já está começando a colher os benefícios do "Plano de Eficiência", que visa ganhos em eficiência operacional.

Destaques operacionais e financeiros

A receita líquida do GPA caiu 6,5% na comparação anual, passando de R$ 4,9 bilhões para R$ 4,6 bilhões no trimestre. No acumulado do ano, as vendas líquidas somaram R$ 12,7 bilhões, abaixo dos R$ 14 bilhões registrados entre janeiro e setembro de 2025.

O maior impacto no prejuízo veio das operações encerradas, como hipermercados Extra e postos de combustíveis, que apresentaram um déficit de R$ 511 milhões.

Por outro lado, o Ebitda ajustado – que mede o lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização – teve alta de 16,9% em relação ao terceiro trimestre de 2025, passando de R$ 412 milhões para R$ 482 milhões. O crescimento de 7% também foi observado em comparação ao trimestre anterior.

Plano de eficiência e ajustes estratégicos

O "Plano de Eficiência" envolveu medidas como redução de cerca de 20% no quadro corporativo, corte de contratos ineficientes, diminuição de gastos com publicidade, otimização da logística, especialmente fretes, e redução das perdas operacionais.

O CEO destacou a necessidade de simplificar as operações e ajustar o portfólio de produtos, adequando-os à demanda local. Um exemplo citado foi a venda de sushi, que foi mantida apenas onde o volume justificasse seu oferecimento, evitando prejuízos.

Além da redução de custos, o GPA tem como um dos pilares a resolução dos passivos estruturais, que englobam dívidas fiscais, trabalhistas e arbitragens. Para Santoro, estas ações são essenciais para a sobrevivência e retomada da companhia.

Foco no reposicionamento do Extra e regionalização

A marca Extra, que representa um terço da receita total, recebeu atenção especial na estratégia de reposicionamento, com esforços para ajustar preços, sortimento de produtos e qualidade dos serviços. Santoro reconheceu que o mercado perdeu participação nos últimos anos e que medidas vêm sendo implementadas para reverter esse quadro.

Adicionalmente, o GPA avançou na regionalização das operações ao criar representações nos mercados do Rio de Janeiro, Brasília e Recife, com o objetivo de adequar o sortimento de produtos às particularidades de cada localidade.

Outros impactos e perspectivas

A retração na receita também foi influenciada pela descontinuação do formato Aliados, uma parceria comercial com pequenos e médios negócios, e por efeitos da recuperação extrajudicial que afetaram o abastecimento das lojas.

O executivo reforçou o compromisso com o crescimento das vendas ao focar na rentabilidade e adaptabilidade da varejista à nova realidade do mercado.

Tags: Alexandre SantoroGPAplano de eficiênciaprejuízorecuperação extrajudicial

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